CAPÍTULO 15
Riley Collins
Foi só virar o rosto pra me ajeitar no espelho de vidro escuro que percebi o reflexo no alto da parede: uma câmera.
— Ótimo… — murmurei, mas sem me abalar.
Eu já tinha lidado com aquele tipo de vigilância na cadeia quando dava merda e uma de nós feria alguém lá dentro.
Então sorri de lado, caminhei até um pequeno interruptor escondido no rodapé e pressionei com o salto do sapato. A luz piscou. Imagem congelada, e pronto. Câmera muda.
Fácil.
Voltei a andar pelo espaço com o mesmo salto firme. Joguei outra provocação:
— Você está sempre tentando controlar tudo, Jackson. Só que no fim, Luca é quem assinou o papel certo, não foi? Ele está casado. Tem o nome dele no testamento.
Eu me afastei, triunfante, até ouvir passos pesados às minhas costas.
— Que diabos você está fazendo aqui sozinha? Com ele?
A voz de Luca me atingiu como uma pedra.
Virei lentamente, encontrando os olhos dele que parecia feito de aço. O maxilar travado, o olhar furioso.
— Acertando contas. Embora tenha sido você mesmo que me trouxe no banheiro. Ou seja, não sou eu que vim atrás de confusão.
— Você acha isso aqui um jogo? — Ele avançou um passo, a voz mais baixa, mas ainda mais cortante. — Isso aqui não é seu show, Riley.
Eu senti meu corpo gelar. Por mais que soubesse jogar com os outros, Luca era diferente. Irritava quando ele não me enxergava como aliada. Quando me tratava como qualquer uma. Até porque ele tem Emma sob seu controle agora.
Atrás dele, ouvi a voz escorregadia da cobra que insistia em rastejar por perto.
— Já? — Tamy zombou, surgindo com os braços cruzados, o vestido colado demais pro ambiente e o maldito baton borrado. — Mal começou o casamento e já perdeu o controle do marido? Isso deve ser um recorde.
Respirei fundo, firmei os pés no chão. Endireitei a postura. E deixei que a compostura falasse mais alto que qualquer raiva.
— Tamy… — comecei, a voz suave, mas cada sílaba com veneno doce — …se acha mesmo que casamento é controle, talvez seja por isso que nenhum dos seus pretendentes haviam te escolhido até hoje. E convenhamos… até as séries ruins têm mais audiência do que você.
Luca segurou meu braço.
Um burburinho se formou atrás de mim. Mas continuei. Não por eles, mas por mim.
— E quanto ao Luca... — olhei para ele, firme — …ele não é um homem que se controla. É um homem que se escolhe. Ontem eu o escolhi, e hoje ele me escolheu.
— Já chega, Riley. — Luca puxou mais meu braço.
Antes que ela abrisse a boca de novo, tirei com calma o casaco da mãe dele que estava no meu braço. Dobrei com cuidado, depois virei e joguei direto pra ela.
— Entregue isso pra verdadeira dona, querida. Não é do seu tamanho. É uma peça delicada — finalizei, antes de me afastar.
Deixei Tamy ali, com os olhos arregalados e a boca semiaberta. Luca me seguiu com o corpo e com o olhar, mas não disse nada. E, por dentro, eu também não era mais a mesma Riley do vestido branco na cerimônia. Eu estava aprendendo rápido demais que o mundo aqui fora também era dos espertos como na cadeia. Eu poderia sobreviver muito melhor que lá.
E não ia parar por nada.
.
Luca Black
.
Eu já estava ali antes dela perceber. Vi tudo.
O jeito como desativou a câmera sem hesitar. Como provocou o Jackson, e acabou com ele, mesmo sabendo que ele era capaz de quebrar pescoços com as mãos nuas. E principalmente: vi o olhar dela quando enfrentou a Tamy.
Ela não é frágil.
Nem boba.


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