Capítulo 159
Derrick
(Uma semana depois)
Fazia uma semana desde o exame. Sete dias exatos. Sete noites longas demais.
O tempo andava devagar dentro de casa — mas o relógio do escritório parecia zombar de mim, girando ponteiro por ponteiro como quem diz: “você não manda em nada, nem no tempo.”
Trabalhei o quanto pude. Dobrei turnos, deleguei o dobro, matei mais que o normal. A única pausa era quando ia ver a Mia.
Ela me olhava e sorria — o tipo de sorriso que só criança pequena dá, como se o mundo ainda fosse bom.
Mas Rúbia...
Rúbia parecia outra.
Não era só frieza, era distância que tomava de mim dia após dia. Um tipo de calma que machuca mais do que o grito.
Tentei trazê-las de volta pra casa mais duas vezes. Na segunda, ela nem abriu a porta do quarto.
Disse apenas:
— Não, Derrick. Para de insistir. Eu não sinto mais o que sentia.
E foi isso.
Sem drama, sem lágrima. Só um fim dito com voz mansa.
As peças da nossa casa ficaram maiores. Vazias.
A mesa que antes tinha cheiro de café e bolo agora era só madeira e silêncio.
Greting arrumava os pratos, as taças, o guardanapo.
Tudo impecável, como sempre.
Mas o som da porcelana batendo parecia zombar de mim também. Eu não tenho fome, nem vontade de comer.
— Senhor, não precisa ficar assim — ela começou, cautelosa. — Pode arrumar outra mulher. A senhora Rúbia não é a única. Pode continuar vendo a menina Mia, mas fique com alguém que dê valor ao senhor.
Levantei o olhar, tentando entender onde ela estava querendo chegar. Então no seu olhar eu tive certeza.
A raiva veio fria.
— Eu odeio mulher oferecida, Greting.
Ela arregalou os olhos. Tentando parecer ofendida. Algo que não me causa espanto. Bem a cara dela.
— Como assim? Só estou dando uma opinião.
— E eu pedi? Opinião, se fosse boa, era cobrada.
Ela abaixou a cabeça.
— Desculpa, senhor. Não vou falar mais nada.
— Sim, deveria ter feito isso desde o começo.
Ficou muda por um instante. Depois, como se lembrasse de algo, arriscou:
— É que quando a senhora Rúbia ainda estava aqui, o senhor ligou todo animado e perguntou da Rúbia. Depois me pediu pra rir com o senhor na linha e olhar pra ela...
Revirei os olhos.
— Mas é muito lerda mesmo, né? Eu só queria que ela visse você rindo. Até perguntei se ela estava por perto, por isso. Ou achou que eu trairia minha esposa com você?
O silêncio dela foi resposta.
— Acho que me enganei então — murmurou, ajeitando o avental.
— Eu não sou desses homens que traem.
— Mas ela não te traiu? — ela perguntou, sem olhar pra mim.
Fiquei imóvel.
A frase ecoou como um disparo. E agora realmente tenho dúvidas se ela realmente fez isso.
Já tinha revisto as câmeras de segurança daqui, dezenas de vezes. Nenhum homem entrou aqui. Nenhuma visita diferente.
Nada.
Se ela tivesse engravidado do ex, teria sido antes do casamento… uma semana antes, no máximo.
Mas seria traição? Ou coincidência de tempo?
As contas não batiam.
Nada batia.
Parei no meio da sala.
O eco da pergunta da Greting ainda no ar.
O coração batendo descompassado.
Fui até o armário. Peguei a pasta azul.
Abri.
O exame de ultrassom estava ali, dobrado.
“Idade gestacional estimada: 8 semanas e 3 dias.”
Fechei os olhos. Fiz a conta.
Oito semanas e três dias naquele dia que ela fez o exame de ultrassom.
Hoje, nove semanas e três.
A data não batia com a paranoia que eu criei.
Nem com o medo que eu alimentava.
— Senhor? — Greting chamou da porta. — O senhor está bem? Nem me respondeu...
A minha mente estava longe.
— Na semana do casamento — murmurei —, a Rúbia não saiu da casa dos Black. Ficou lá com a Mia o tempo todo. Nem conseguiu terminar o curso. — Pensei alto comigo mesmo.
— Não entendi, senhor...
— Tem alguma coisa errada. — murmurei, mais pra mim do que pra ela. — Não b**e.
Dei as costas e fechei a porta do escritório na cara dela.
O som seco da madeira me deu um alívio momentâneo.
O escritório estava em meia-luz.

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