Capítulo 25
Luca Black
Esperei Riley na sala de estar, sentado na poltrona de couro com uma xícara de café amargo em mãos e a cabeça pesada.
Hoje eu não queria distrações. Nem sexo. Nem sorrisos. Foi o suficiente o que aconteceu ontem e o que tenho vivido todas as últimas semanas.
Quando a porta abriu, olhei de relance — e aprovei.
Ela vestira exatamente o que mandei. Ainda bem. Era algo discreto, elegante, sóbrio. Preto, gola alta, calça alinhada.
Havia algo de sofisticado naquele jeito de se apresentar. Mesmo sem mostrar nada... ainda era sensual. Isso me irritava um pouco. Não gostaria que me chamasse a atenção dessa maneira.
— Vamos? — ela perguntou, parando a poucos passos de mim.
— Primeiro, tome café — disse, sem tirar os olhos do jornal à minha frente. — Você tomou medicação. Não pode ficar com o estômago vazio.
— Sim, chefe — respondeu, obediente.
Essa submissão me deixava atento. Parte dela era medo. Parte era jogo. Parte era... devoção?
Ela se sentou à mesa. Mantive o olhar no jornal, mas por trás da folha dobrada, espiava. Esperava que pegasse uma fruta, talvez um café com leite, mas não.
Riley começou a puxar coisas como se tivesse jejuado por três dias. Primeiro o cesto de pães. Depois um copo de suco. Um potinho de geleia. Um iogurte. Um pão com ovo. Depois ficou olhando para o bolo recheado.
— Senhor Ramon? — ela chamou o mordomo com um aceno elegante. — Pode me trazer um prato maior, por favor?
Larguei o jornal devagar e a encarei.
Ela retribuiu meu olhar com um ar de falsa inocência e... um garfo já cheio de presunto.
— Com fome, docinho? — perguntei, arqueando uma sobrancelha.
— Só estou me preparando para ver minha irmã. Posso precisar de energia.
— Vai levantar um sofá com as mãos? — provoquei.
— Se for pra levar ela no colo, sim — rebateu, com a boca cheia e sinceramente, odeio quando fica tão solicita a alguém, principalmente uma irmã. — Na verdade, comi muito pouco nesses últimos anos. — Prestei mais atenção nessa última frase.
— Últimos? — reparei que disse no plural.
— É. A três anos eu precisei tirar a Emma de casa. Trabalhar, pagar os cursos dela sozinha, deve imaginar que não sobrava o suficiente pra comer bem. Depois veio o acidente e olha só...
— Você trabalhava com o que?
— Ela nem se importou com vocês. E se esse cara faz alguma outra merda? As vezes até com sua mãe. — Riley abaixou o olhar.
— Prefiro não pensar nisso.
— Ok. Como quiser. — Nem falei nada. Riley é inocente demais quando se trata da família dela. Eu diria até burra.
Comemos em silêncio por alguns minutos. Ela realmente parecia faminta. Não tentou fingir etiqueta, nem esconder a voracidade.
— Está melhor? — perguntei, quando ela limpou a boca com o guardanapo.
— Sim, chefe — respondeu, sem hesitar.
Assenti, satisfeito.
— Vamos. Está na hora.
Levantei, coloquei os óculos escuros e segui em direção à porta. Riley caminhou ao meu lado, ereta, focada.
Nem contei a ela onde encontrei a irmã. Bom, meus homens, é claro. E muito menos que a moça parecia tão bem fisicamente aos olhos dos meus soldados.
Só que algo na minha conta não b**e. Jackson fez alguma coisa pra ela, porque pareceu assustada demais pelo vídeo que enviaram quando invadiram. Não estava amarrada, mas muito bem trancada na nossa casa de praia.

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