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Roubada no altar pelo chefe da Máfia romance Capítulo 26

Capítulo 26

Riley Collins

O carro deslizou pela estrada de paralelepípedos, e por um instante, o silêncio dentro do veículo parecia maior do que tudo ao redor.

Luca mantinha uma das mãos firmes no volante e os olhos fixos à frente, enquanto a outra repousava no câmbio, com a mesma frieza de sempre.

Eu não sabia se tentava conversar ou apenas ficava quieta e observava.

Foi o que escolhi. Observar.

As árvores altas acompanhavam a estrada em fila, e as flores nos jardins que passávamos pareciam mais vivas do que lembrava que podiam ser.

Estávamos em um bairro afastado, mais arborizado e claramente caro. Algumas casas eram de revista, mas a que paramos à frente superava qualquer expectativa. Portões pretos automáticos se abriram com um clique. Era ampla, clara, com colunas brancas e um jardim impecável.

Olhei pra ele, desconfiada.

— Onde estamos?

Ele respondeu sem emoção:

— Na casa de campo da nossa família. A mesma de onde você ligou achando que era um hospital. No fim, foi bom ter solicitado a troca dos lençóis. Deveriam estar mesmo empoeirados.

Meu estômago se revirou.

— Minha irmã está aqui? Mas como?

Ele parou o carro, desligou o motor e me olhou pela primeira vez desde que saímos.

— Sim. Ela está. Eu mandei trazerem um médico pra cá.

Tive que me segurar pra não chorar ali mesmo.

— Onde a encontrou? — perguntei, a voz embargada.

— Na nossa casa de praia. Jackson a manteve lá.

Meu coração quase saiu pela boca.

— Meu Deus... Ele deve ter feito mal a ela. Ela estava presa?

Ele deu um leve movimento de ombros.

— Bom... trancada. Já era de se esperar algo do tipo vindo de Jackson.

Senti minhas pernas formigarem.

Antes mesmo que ele abrisse a porta do carro, eu já estava fora.

Corri pelos degraus da entrada como se minha vida dependesse disso.

Funcionários abriram a porta para mim, mas eu mal os enxerguei. Vi apenas Luca apontando o corredor com o queixo.

— Segundo quarto à direita.

Não esperei mais nada.

Meus pés se moveram quase sozinhos. Ao chegar na porta indicada, ela estava entreaberta. Empurrei devagar, mas entrei com pressa.

O quarto era claro, cheiroso, com uma brisa suave entrando pela janela.

E ali estava ela.

Minha doce, Emma.

Deitada na cama, abraçada a um travesseiro, os olhos vermelhos e úmidos. — Chorando?

Ela me olhou. Um segundo. Um segundo foi o bastante.

— Riley...?

— Emma! — corri até ela, me jogando na cama e a abraçando como se nunca mais fosse soltar. — É você... meu Deus, é você!

Ela começou a chorar mais forte, o corpo tremendo nos meus braços. Assim como eu.

— Eu pensei que você tivesse morrido... — ela sussurrou, com a voz fraca.

Aquela pausa. O silêncio pesado. Eu soube. Soube antes que ela dissesse.

— Emma… — sussurrei, engolindo o nó na garganta.

Ela fechou os olhos com força, como se tentando apagar da mente as lembranças.

— Ele… ele me usou, Riley. Me tratou como uma moeda de troca. Como uma dívida sua a ser paga…

Minha visão ficou turva. As lágrimas vieram tão violentas quanto a raiva.

— Desgraçado. Ele vai pagar por isso. Eu juro. Aquele desgraçado fez o mesmo comigo. Me disse que poderia ajudar com sua recuperação se eu trabalhasse pra ele.

— Não me diga que também te forçou? — perguntou.

— Não. Ele me pediu pra levar uma mala e fui presa por culpa dele. Depois me obrigou a assumir a culpa que pagaria sua cirurgia.

— Mas eu não fiz nenhuma cirurgia.

— Pelo que entendi ele comprou aquele médico. Maldito, vou acabar com ele.

Me levantei, mas Emma segurou meu braço.

— Você já passou por tanta coisa… Só vamos aproveitar nosso tempo juntas. Estou tão feliz que me tiraram daquela casa.

— E vou passar por mais, se for pra fazer esse verme pagar — cuspi. — Ele tocou em você. Usou você pra me atingir e eu pra atingir você. Isso eu não vou deixar barato.

Ela me olhava assustada, mas também… havia algo como alívio em seus olhos. Alívio por finalmente contar. Por saber que agora eu sabia.

Jackson Black tinha acabado de assinar sua sentença. E eu ia ser a última coisa que ele veria antes de tudo desmoronar.

— Mas Riley... como se libertou? Quem nos salvou? — ela perguntou.

— Luca. Luca Black. Meu marido. — Ela arregalou os olhos ao olhar para a porta quando apontei.

— Não. Me diz que não vai começar tudo de novo... — Balançou a cabeça apressada. Parecia com medo. Coloquei a mão sobre a dela.

— Fica tranquila. Vou resolver tudo.

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