Capítulo 28
Luca Black
— Esse encanamento precisa ser refeito. Manda trocar tudo, Derrick. Não quero problema nessa casa — falei, apontando para os esquemas da planta sobre a mesa.
Meu consigliere coçou a barba com uma expressão entediada, mas atento.
— Você planeja ficar mais tempo por aqui?
— Não. Mas quero que funcione quando eu precisar.
Ele assentiu e rabiscou algo numa prancheta, quando a porta do escritório foi aberta apenas por uma fresta, com duas batidinhas leves.
— Posso entrar, senhor?
Levantei uma sobrancelha e olhei pra porta. Era a Riley.
Derrick me lançou um olhar debochado.
— Sua esposa te chama de senhor?
— Não. — Fiz uma careta contida. — Vou chamar a atenção dela depois. Deveria me chamar de chefe.
Derrick abafou o riso.
— Pensei que já estivessem bem…
— Ela é só a sortuda que casou com o chefe. Nada mais, Derrick — Falei em voz mais alta, olhando pra porta. — Entre, Riley.
Ela abriu a porta, entrou devagar, e Derrick, com aquele sorrisinho que me irritava às vezes, deu meia-volta e saiu sem dizer mais nada.
Fechei o fichário na mesa com firmeza.
— O que foi? Estou trabalhando. Não estava ansiosa pra ficar com a irmã?
— Eu preciso ver com você… se posso levar a Emma pra sua casa.
Soltei um suspiro. Já sabia que isso viria.
— De jeito nenhum. Eu nem conheço essa mulher. Não confio nela. Deixe se virar.
— Mas Luca, escuta... Ela está sozinha no mundo. Passou meses nas mãos do seu irmão. Ela não tem ninguém, o padrasto pode encontrá-la, nossa mãe não acredita nela. E agora que reencontramos uma à outra, tudo que quero é cuidar dela. Pelo menos até que se recupere de verdade…
— Eu casei com você, porra. Não com a sua família inteira. Queria encontrar a irmãzinha, não queria?
— Sim, mas… — deu um passo à frente, a cortei.
— Queria que ela estivesse segura, certo?
— Sim…
— Então acabou, caralho! A guria tá ótima, saudável, de bem com a vida. O que mais você quer? Levar problemas pra casa? Eu já tenho o suficiente, não preciso de mais.
Ela me olhou com um brilho ferido nos olhos.
— Por que você tem que ser tão cruel? Eu pensei que fosse diferente.
— Riley… abre os olhos. Você tá deixando sua vida passar pra viver a dos outros. No máximo que posso fazer é arrumar um lugar pra ela ficar e um trabalho. Sua irmã é uma mulher, pode se virar. Você fez isso, não fez? Porque ela não trabalhou com você vendendo flores? Te deixou sozinha enquanto você pagava pra ela estudar.
— Ela era mais nova. Tinha mais chances. Depois ela pagaria os meus estudos e eu terminaria...
— Sei. Os irmãos são tão fofos.
— Ela está se recuperando, Luca… sei que você ainda tem um coração. Me ajude.
— Há onze meses recuperando? — Cruzei os braços. — Eu acho que ela está ótima.
Ela respirou fundo, se aproximando da mesa enquanto esticava a roupa. Já conhecia aquele movimento.
— Riley.
— O que foi? — virou, já sem paciência.
— Vem aqui. Quero um beijo. E um pedido de desculpas.
— Por quê? Eu não fiz nada!
— Tá questionando?
— Não, senhor…
— É chefe, porra. “Senhor” já está no céu.
— Desculpa, chefe.
Ela se aproximou com passos lentos. Quando chegou perto o suficiente, puxei ela com força pela cintura e a beijei com vontade. Minhas mãos seguraram firme. A boca dela correspondeu com um gemido baixinho que escapou quando beijei seu pescoço.
Deitei o corpo dela sobre a mesa. Por alguns segundos, esqueci da raiva, dos papéis, da irmã dela, de tudo.
Mas então parei abruptamente. Me afastei.
— Vai, Riley.
Ela piscou, ainda ofegante, tentando entender.
— Agora. Antes que eu resolva te punir de outro jeito.
Ela ajeitou os cabelos, a blusa, e saiu sem dizer uma palavra.
E eu… Sorri de canto. Como ela consegue isso? Maldita Riley.
Ela ainda não fazia ideia do que tinha acabado de começar. Mas eu iria mostrar. Claro que iria.

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