Capítulo 29
Riley Black
Desci as escadas ainda com o gosto do beijo dele nos lábios e a raiva entalada no peito. Luca podia ser tudo, menos previsível. Um momento queria me devorar viva em cima da mesa, no outro me chutava como se eu fosse uma pedra no caminho. E o pior? Eu deixava. Cada maldito passo desse casamento me prendia um pouco mais, mesmo quando eu fingia que não.
Passei pelo corredor em direção ao quarto de hóspedes, mas me assustei.
— Emma?! — murmurei, o coração disparando.
Ela estava em pé, no meio do corredor, de roupão, olhando pra mim com os olhos arregalados.
— O que você está fazendo aqui fora? — me aproximei rápido. — Você está louca? Se o Luca te ver assim, teremos problemas. Nesse meio os princípios são controversos.
— Eu ouvi tudo — ela me interrompeu, a voz embargada.
Parei a dois passos dela. A vergonha e o cansaço estavam estampados no rosto da minha irmã.
— Ouviu o quê?
— Você não precisa fazer isso por mim, Riley. Ele tem razão. Eu dou um jeito. Sempre dei.
Merda! Ela ouviu a conversa com Luca.
— Emma… — suspirei e segurei sua mão. — Vem, vamos pro quarto.
Empurrei ela com delicadeza de volta para dentro. Fechei a porta atrás de nós.
— Você não pode andar pela casa assim, de roupão! Isso aqui é o inferno disfarçado de mansão. Se o Luca te vê ou alguém comenta com ele, pode virar um escândalo. E você sabe como ele lida com escândalos?
— Como Jackson?
— Querida, são mafiosos. Gostam das putas, mas as mulheres de dentro de casa precisam ser santas, perfeitas.
Ela baixou os olhos.
— Mas eu não tenho nada, Riley. Só o que trouxe na bolsa, e foi confiscado no hospital. Não tenho nem calcinha decente, quanto mais roupa.
— Então veste algo dos empregados. A babá da prima dele tem um uniforme que talvez sirva...
— Você me odeia tanto assim? — ela tentou brincar, mas a dor ainda estava ali.
Foi quando me lembrei de algo.
— Espera… — fui até minha bolsa, que ainda estava no canto do quarto desde a nossa chegada. Vasculhei rapidamente até encontrar. — Aqui.
Estendi um vestido simples, de algodão claro. Era fresco, limpo, discreto. Eu sempre andava com uma peça extra — por segurança, e por mania.
— Porque é o único jeito de mantê-la segura — sussurrei.
— Não sou uma criança, Riley. Não sou mais a Emma que você protegia nas noites frias com um cobertor velho. Eu cresci. Caí. Quase morri. Mas estou de pé. E agora só preciso que me ajude a voltar pro centro onde morávamos. Depois disso, eu me viro. Vou atrás de um flat, arrumo um emprego. Só me ajuda a sair daqui.
— Você quer ir embora? — minha voz falhou.
— Quero respirar. Quero voltar a ser dona da minha vida. Você deveria fazer o mesmo. Na verdade, queria que viesse comigo.
Me aproximei e a abracei. Ela estava quente, trêmula, mas firme.
— Me promete que não vai sair por aí sozinha. Espera uns dias. A gente vê isso juntas. Vai dar certo, Emma. No fim, tudo vai dar certo. Eu te prometo. Tenho medo de te acharem. Jackson ou o marido da mamãe.
Ela soltou um suspiro no meu ombro.
— Você sempre promete. Mas agora é minha vez de cuidar de você, Riley. E se esse casamento virar um campo de guerra… vou estar do seu lado. Até o fim. Não gostei nada do jeito desse Lucas. É bonito e só isso.
— É Luca. E espera só alguns dias, ok? Tudo vai dar certo.
— Tudo bem. Vamos fazer isso juntas. — Era tão bom poder abraçar ela depois disso tudo.
Fechei os olhos. Pela primeira vez em meses, senti que não estava sozinha.
Até que a porta do quarto foi aberta.

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