Capítulo 30
Riley Black
— Senhora Riley, o chefe pediu para não saírem da propriedade. — Era Derrick, o consigliere.
— Claro. Pode deixar. — Então ele saiu.
— Vamos dar uma volta — falei para Emma. — Quero conhecer melhor essa casa. Ainda não tinha vindo aqui. Parece bem bonito.
Ela riu com um sorrisinho torto, ainda desconfiada. Mas seguiu meu passo.
— É eu também não vi direito. Estava com medo.
Descemos juntas pelos corredores amplos e gelados. Tudo naquela mansão era exagerado — escadas imensas, lustres de cristal, quadros antigos demais pra parecerem reais. Eu mesma me sentia um figurante naquele lugar.
Foi quando a mesma empregada de antes apareceu no corredor, dessa vez sorrindo:
— Senhorita Emma, só passei pra avisar que o almoço será servido em breve. Está sendo preparado algo especial.
Emma olhou pra mim, surpresa. E eu ergui uma sobrancelha.
— Senhorita Emma? Já estão te tratando como se morasse aqui há meses. — Cruzei os braços. — Estão gostando de você.
— Eu… não entendo — ela sussurrou de volta. — Mal falei com alguém além de você.
— Não subestime a velocidade da fofoca de mansão. Aqui tudo anda mais rápido que o normal.
Nesse instante, senti aquele arrepio na nuca. Como se alguém me observasse.
Virei o rosto e lá estava Luca.
A passos firmes, mãos nos bolsos, e o olhar fixo na empregada — sério, afiado. Como se algo estivesse errado.
Ele parou diante de nós. Olhou pra mim e depois para Emma. A mandíbula dele estava travada como se estivesse se contendo.
— Venham. — Foi só o que disse, e se virou.
Seguimos atrás dele até uma varanda coberta, onde a mesa já estava posta. Por um segundo, achei que só almoçaríamos em silêncio. Mas então ele fez um sinal para Derrick, que apareceu do nada — como sempre.
— Chame todos os funcionários. Agora.
O ar ficou tenso.
Um a um, os empregados começaram a se aproximar, com olhares abaixados, atentos.
Luca se posicionou à frente da mesa e encarou todos com aquela voz baixa e cortante:
— Essa é minha esposa. Riley Black. — Segurou minha mão e senti meu corpo se arrepiar — A partir de agora, tudo passa por ela. Vocês vão tratá-la como a senhora desta casa, porque é isso que ela é. Quem ignorar isso… pode fazer as malas agora mesmo.
Silêncio total.
Ninguém ousou responder. Só pequenos acenos, e um “sim, senhor” abafado vindo de algum lugar do fundo.
Meu coração batia forte. Eu não esperava por isso. Nem pelo calor estranho que subiu no meu peito.
Emma desviou o olhar, tímida, e todos voltaram aos seus afazeres.
Logo os pratos começaram a ser servidos. Sentei ao lado de Luca, e Emma ficou na ponta, mais retraída do que nunca. A comida era impecável, como sempre, mas o clima… não.
— Tá tudo bem? — perguntei a ela em voz baixa.
— Está, sim — ela respondeu, sem me olhar, mexendo no prato. — Obrigada.
Luca notou. É claro que notou.
— Riley, precisamos voltar — ele disse, limpando os lábios com o guardanapo. — Tenho assuntos a resolver em casa. Já decidiu o que fazer com sua irmã?
Emma se remexeu na cadeira, coitadinha.
— Eu… não quero incomodar — ela disse, quase num sussurro. — Já atrapalhei demais.
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