Capítulo 37
Riley Collins
No dia seguinte.
A luz entrava pela fresta da cortina quando abri os olhos. Por um momento, não me movi. Sentia o corpo leve, quase flutuando. O ar ainda trazia o cheiro dele, e um calor suave corria pela minha pele. Fazia tempo que não acordava assim… satisfeita. Feliz. Ele me fez relaxar, me sentir plena. Não é o cara ruim que imaginei.
Meu olhar caiu sobre Luca, deitado ao meu lado. O peito subia e descia num ritmo calmo, e a cicatriz que cortava sua pele parecia ainda mais marcada pela luz suave da manhã. Estendi a mão, devagar, para tocá-la…
Mas antes que meus dedos chegassem, sua mão fechou no meu pulso. Forte.
— Luca… — murmurei, surpresa.
Os olhos dele abriram, e num segundo estava sentado, afastando-se. Não houve carinho, nem sequer um resquício do homem que tinha me segurado na noite passada.
Que frieza! Qual a dele, afinal?
— Bom dia — tentei, forçando um sorriso pequeno. Vi que fechou a cara ao perceber que eu sorria, disfarcei.
— Bom dia. — A voz dele era seca. — Não misture as coisas, Riley. Eu não sinto nada por você além de desejo. E já considere bom, porque te achava frígida.
Aquela frase bateu como um soco no estômago, mas eu apenas assenti.
— Tudo bem.
Ele se levantou, pegando uma camisa e uma calça, vestindo sem olhar para mim.
— A partir de hoje, você cuida do bom funcionamento da casa. Não deixa a Emma mexer em nada, saber de nada. Está me entendendo?
— Sim. — Colocou os sapatos.
Eu permaneci sentada, tentando acompanhar a sequência de ordens.
— Hoje começa a trabalhar pra mim. Vai se trancar naquele depósito de papéis antigos e começar a organizar o que eu pedi. Passa tudo para um pen drive, usando o notebook. Não precisa ter pressa… agora trabalha pra mim.
Pegou um casaco, sem diminuir o tom.
— Ok.
— No seu horário de trabalho, Emma fica longe. Amanhã mesmo ela vai fazer uma entrevista.
— Certo — murmurei. — Obrigada.
Ele se virou para me encarar.
— Por que não está me chamando de chefe?
— Desculpa… chefe.
A expressão dele endureceu.
— Pedir desculpas sempre também me irrita.
— Não quer que eu peça?
— Não quero que erre. Daí evitará se desculpar.
Engoli seco.
— Certo, chefe. Não irei errar.
— Espero.
Ele abriu a gaveta da escrivaninha e retirou um pen drive, colocando-o na minha mão. Depois foi até um armário grande, puxou um notebook e me entregou.
— Não me decepcione. Sabe o que fazer.
— Você vai sair? — perguntei, tentando não parecer curiosa.
— Vou. Ou achou que deixaria o Jackson tranquilo depois de invadir minha casa? É claro que não.
— Mas e sua mãe… — arrisquei.
— Ela conhece os filhos que tem. — Colocou o cinto. — Qualquer coisa me liga. Tem telefone espalhado pela casa e meu número está gravado.
— Certo, chefe. — Luca virou para o espelho arrumando o cabelo. É bem curtinho, mas tem um rosto lindo. Chama a atenção.
Por um instante, pensei que ele fosse me beijar. Ele chegou perto o bastante para que eu sentisse seu cheiro… mas apenas pegou a chave que estava na mesinha.
— Tchau, Riley.
E saiu, deixando o quarto vazio e frio, como se a noite anterior nunca tivesse acontecido.
.
Olhei no closet e escolhi a roupa separada pra hoje. Estranhei que só estava a arara do necessário para a semana. As empregadas devem ter organizado o resto pelo closet.
Prendi o cabelo num rabo de cavalo e passei só um pouco de batom. Não era dia para perder tempo no espelho — Luca tinha sido claro: eu começaria a trabalhar.
Saí do quarto, mas ao passar pelo corredor em direção às escadas, notei a porta de Emma entreaberta. Antes que eu batesse, a voz dela veio alta e clara:
— Eu quero uma roupa decente. Se vire para achar, Rúbia. Essas coisas que a sogra da Riley trouxe são horríveis. Eu só tenho dezenove anos! Como vou usar isso? — Estranho.
Franzi a testa e me aproximei, ficando atrás da porta. Ouvi Rúbia responder, submissa:
— Sim, senhora. Vou dar um jeito.
— Você é lerda demais. Desse jeito não vai evoluir nunca. Deveria ter vindo no meu quarto ontem.
— Desculpa senhora.
Não esperei mais. Empurrei a porta e entrei de repente.
— O que está acontecendo aqui?
Emma arregalou os olhos. Rúbia ficou estática, com um cabide na mão.
— Eu… — Rúbia começou, mas Emma ergueu a mão para cortar.



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