Capítulo 38
Luca Black
O portão lateral cedeu quando meti tiro e empurrei com o pé. Eu não precisava que fosse silencioso — queria que Jackson soubesse que estou aqui. A arma estava na cintura, oculta pelo casaco, entrei. Adoro estar onde não fui convidado.
Mas só haviam empregados. Esse maldito me conhece. Sabia que eu viria.
Cada cômodo que abria me dava mais certeza de que ele tinha desaparecido antes que eu chegasse. A lareira apagada, as taças limpas, nenhuma pista recente.
Os empregados morriam de medo. Os conheço, não têm culpa de trabalharem pra esse idiota.
Subi as escadas, revirei gavetas, encontrei apenas contratos antigos e uma pasta trancada — que não perdi tempo em arrombar. Vazia.
— Covarde… — murmurei. Ele estava fugindo de mim. E isso só me dava mais motivos para não parar.
Olhei o relógio. Estava perto da hora do almoço. Riley ia me esperar, e eu não costumo me atrasar quando marco alguma coisa.
O celular vibrou no bolso. Por um instante, achei que fosse ela. Mas o visor mostrou outro nome: Ramon.
— Fala. — Atendi seco o mordomo, descendo as escadas.
— Chefe… achei que fosse importante avisar.
— O que houve?
— É sobre a senhorita Emma.
Fiquei em silêncio por um segundo.
— O que tem ela?
— Eu a vi no telefone, na sala de música. Ela pensou que eu não estava por perto… Mas estava falando com alguém e disse coisas sobre a senhora Riley.
— Que coisas? — Apertei a chave do carro na mão.
— Disse que a Riley não serve para o senhor, que está gastando seu dinheiro e que pretende arrumar um jeito de se livrar dela. Usou exatamente essas palavras.
Respirei fundo, descendo os últimos degraus. Eu bem que senti que essa uma era um problema. Riley está cega pela irmã.
— E estava falando com quem?
— Não sei. Ela abaixou a voz quando percebeu minha presença. Mas… tenho quase certeza de que não era uma amiga.
— Por quê?
— Porque ela disse… “Eu sei, vou passar tudo para você depois. Deixa comigo.”
— Certamente esteja trabalhando para alguém.
— Bom, é o que acho chefe.
Minha mão fechou em punho.
— Ramon, escuta. Não fala nada pra Riley. Não muda o seu comportamento com Emma. Só observe e escolha uma empregada de confiança para cuidar da sua senhora.
— Sim, chefe.
— E me avise de tudo que ela fizer ou disser quando eu não estiver em casa.
— Entendido.
Desliguei e fiquei por um momento parado ao lado do carro. O vento frio bateu no rosto, mas não foi suficiente para acalmar o que senti. Emma estava cruzando uma linha perigosa. Essa garota é idiota ou o que? A mim ninguém engana.
Se acha que pode mexer com Riley… vai aprender do pior jeito que na minha casa não existe espaço para traição. Veremos até onde Emma acha que pode me enganar.
Entrei no carro, girei a chave e segui de volta pra casa.
Estacionei em frente e respirei fundo. Eu sabia que, depois do que Ramon me contou, não dava para fingir que nada estava acontecendo. Mas também não era hora de colocar todas as cartas na mesa. Primeiro, eu queria ver como Riley reagiria por conta própria. Ela gosta muito dessa irmã invejosa.
O portão abriu, e entrei direto. Ramon já me esperava na entrada, formal como sempre.
— A Riley está pronta? — perguntei.
— Está sim, senhor. Mas… — ele fez uma pausa — a senhorita Emma também está na sala.
Franzi o cenho e caminhei até lá.
— Está pronta? — perguntei, como se nada tivesse acontecido.
Riley ficou parada na porta, a expressão misturando curiosidade e uma pontinha de confusão.
— O que aconteceu? — perguntou, franzindo o cenho.
— Você ouviu? — questionei, andando em direção a ela.
Na verdade, queria saber se ela tinha visto a vadiazinha se oferecendo.
— Não… bom… — ela ajeitou uma mecha de cabelo atrás da orelha — ouvi você falando com o Ramon para supervisionar, e a Emma reclamando que “é só um vestido”.
— Você deixou ela colocar aquele vestido? O vestido que usou pra me provocar? — minha voz saiu baixa, mas firme.
— Não, eu estava trabalhando. Nem mesmo me arrumei. Já estava pronta desde cedo.
Assenti, mas dei um passo a mais, encurtando a distância até ela. Segurei seu queixo e a conduzi até o carro, encostando-a contra a porta. Meu corpo colou no dela.
— Riley… grava uma coisa na sua cabeça. Só você pode colocar aquele vestido. Está me ouvindo? Nem a Tamy eu deixei. Sua irmã teve sorte que eu não destruí porque é seu. Mas, sinceramente… agora nem sei se quero te ver nele de novo. A lembrança da Emma nele me enoja.
— O que você tem contra ela? — ela ergueu o olhar, tentando não se intimidar. — É só uma moça que está aprendendo sobre a vida…
Soltei um riso curto, sem humor, e minha mão escorregou pela lateral do seu corpo, disfarçadamente, como se fosse apenas um toque casual — mas não era.
— “Aprendendo sobre a vida” não é sinônimo de se meter na vida dos outros, Riley. Muito menos na minha.
Ela abriu a boca para retrucar, mas eu continuei, o tom mais baixo, quase roçando no ouvido dela.
— Você não enxerga porque está presa à ideia de que sangue é sinônimo de lealdade. Mas sua irmã não vale a preocupação que você tem com ela.
Minhas mãos subiram pelo seu quadril, contornando a cintura como quem prova um território que já é seu.
— Eu não vou permitir que ela use você… nem que tente me usar. Se insistir em proteger essa falsa, quem vai pagar é você. Que fique claro. Embora já esteja pagando a mais de ano, não é? Até casar você casou por ela.
Riley mordeu o lábio, tensa, sem saber se respondia ou se apenas aceitava o que eu estava dizendo.
— Vamos. — abri a porta do carro para ela, sem desviar o olhar. — Temos um almoço para ir… e uma conversa que não acabou.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Roubada no altar pelo chefe da Máfia