Capítulo 45
Riley Black
A água quente escorria pelo meu corpo, mas não levava embora a sensação que ainda latejava em mim — mistura de dor e de fracasso. Luca estava atrás de mim, as mãos grandes deslizando pela minha pele com cuidado. Tão cuidadoso que parecia outro homem.
Se eu não o conhecesse, se não soubesse quem ele é, poderia jurar que estava bravo. O maxilar dele travado, os olhos sérios demais, os movimentos contidos. Mas seus toques eram suaves, quase delicados. Passava a esponja pelo meu ombro, pelas costas, enxaguava o sangue misturado à água como se quisesse apagar qualquer marca.
E isso doía mais do que a dor física.
Porque eu queria tê-lo agradado. Queria que ele tivesse me tomado sem precisar parar, queria ter sido a mulher que finalmente o faria gozar. Mas não consegui.
Luca não é um homem de abraços. Nunca foi. Nunca me beijou por carinho, só por tesão. Nunca me tocou para aconchego, apenas para sexo. E mesmo assim, há algo nele que me prende. O jeito protetor. A forma dura com que impõe respeito. E, por mais que ele não me ame, eu gosto dele. Como homem. Como chefe. Como o marido que o destino me deu.
O medo me corrói por dentro.
No começo, eu não me importava se ele procurasse outra mulher. Até esperava por isso. Mas agora... agora tudo é diferente. Eu não suportaria. Não depois de tudo o que está em jogo, não depois de ter visto esse lado dele que não mostra para ninguém.
Ele respeita. Ele me protege. Ele até cuida de mim no meio do sexo, quando qualquer outro teria continuado, ignorando meus sinais.
E ainda assim, a dúvida me atormenta: até quando ele vai suportar essa minha condição? Até quando vai me olhar desse jeito sério, lavar meu corpo em silêncio, sem procurar prazer em outra cama?
Baixei os olhos, com vergonha. A cada movimento dele com a esponja, eu sentia mais fundo a distância que existe entre nós.
— Luca… — sussurrei, mas não tive coragem de continuar.
Ele não respondeu, apenas inclinou o rosto para esfregar a espuma no meu ombro, firme, como se quisesse arrancar de mim a sujeira e a culpa que só eu sentia.
E foi nesse instante que percebi: ele podia não me amar, podia nunca me dar carinho, mas também não me abandonaria. Não enquanto eu fosse dele.
E esse pensamento, ao mesmo tempo que me acalmava… também me apavorava. E a máfia Amercana descobrisse que ele não tirou totalmente a minha virgindade, tenho certeza que ele teria problemas, nós teríamos.
.
Ele desligou a água e me envolveu na toalha sem dizer nada. Luca sempre foi assim: poucas palavras, mas cada gesto cheio de um peso que eu não sabia decifrar. Sentamos na beira da cama, e só então ele falou, com a voz calma demais para a seriedade no olhar:
— O que você mexeu no depósito pela manhã? Está dando certo a organização dos arquivos?
Levantei o rosto, surpresa com a pergunta naquele momento. Pensei rápido antes de responder, mas a verdade era simples.
— Sim. Eu organizei tudo como o senhor pediu. — respondi, segurando firme a toalha contra o corpo. — Ninguém esteve lá. E o notebook… junto com o pendrive, estão bem guardados. Ninguém vai encontrar o que eu descobrir.
Ele me encarou em silêncio por alguns segundos, os olhos analisando cada detalhe, como sempre faz. Então apenas assentiu.


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