Capítulo 47
Riley Black
O som do motor no portão da frente de casa foi o primeiro aviso. A forma como os pneus rasparam o cascalho denunciava que Luca estava de volta. Ele desceu do carro devagar, estava gato com seus óculos escuros.
Eu observava da janela, tentando decifrar cada detalhe. O casaco escuro pendia dos ombros, e o nó da gravata estava frouxo, como se ele tivesse passado o caminho inteiro sem se importar em ajeitá-la. Seus ombros estavam duros, o maxilar travado. Reconhecia cada sinal: Luca estava irritado, e pior, carregava a frustração de alguém que não encontrou as respostas que queria.
Empurrei a porta antes que ele abrisse. Ele entrou, alto, imponente, os olhos percorrendo a sala como se esperasse encontrar uma armadilha até mesmo dentro da própria casa.
— Está atrasado para o café. — arrisquei, tentando suavizar com um meio sorriso.
Ele arqueou a sobrancelha, largando as chaves na mesa de entrada.
— Nao quero café. — A voz baixa, carregada, mas sem intenção de me ferir. Era mais um reflexo do cansaço do que um ataque.
Dei de ombros.
Um canto quase invisível da boca dele ergueu, mas não durou. Luca passou os dedos pelos cabelos, afastando-os do rosto, e finalmente pousou os olhos em mim.
— Vem comigo.
Não havia explicação. Apenas a ordem. Segui seus passos até o quarto. O silêncio era grande. Ele se encostou à escrivaninha, descruzando e cruzando os braços, como se estivesse tentando organizar os próprios pensamentos.
— Não descobri o que aconteceu. — disse por fim, direto, sem rodeios.
Abracei meus braços contra o corpo, como se aquilo pudesse conter a onda de ansiedade que me tomou.
— Talvez não haja nada grave. Às vezes os soldados inventam coisas…
Ele me cortou com um olhar afiado.
— Na máfia Amercana, fofoca não existe. Cada palavra tem um preço. E quando dois soldados diferentes chegam até mim com a mesma história, não é coincidência. Desconfio que Jackson tenha conseguido acesso aos meus e-mails.
Mordi o lábio, desviando o olhar para o tapete. Não podia concordar, nem discordar.
— Então… o que vai fazer? — arrisquei.
Ele respirou fundo, pesado, os olhos vagando para a parede como se as respostas estivessem escritas ali.
— Vou trabalhar na biblioteca. Rever tudo. Até encontrar o ponto de onde vazou. — Fez uma pausa e acrescentou, com firmeza: — Não quero ser incomodado. A não ser que seja realmente importante. Ninguém entre naquele escritório.
Assenti de imediato.
— Claro. Entendi que ele também se referia a mim.
O silêncio que se seguiu foi estranho, desconfortável. Fiquei dividida se falava que coloquei a informação num pendrive e alguém pode ter visto. Que inclusive contei pra Emma sobre isso.
Só que ele ficaria furioso. Foi claro ao exigir que Emma não soubesse de nada interno, e isso foi um erro. Eu deveria ter testado de outra maneira, mas agora era tarde.
Luca me observava como se quisesse arrancar algo de mim, mas no fim apenas caminhou até o armário, tirou o casaco e o deixou na poltrona.
— O jantar deve estar pronto mais tarde. Gostaria de comer peixe. — murmurou sem me olhar.
— Vou verificar. — respondi rápido, só para sair dali antes que o peso da desconfiança caísse de vez sobre mim.
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Mais tarde, encontrei Emma no quarto dela. O armário estava coberto por roupas, e ela parecia um passarinho inquieto, rodando entre os vestidos e jogando sapatos para os lados.
— Está montando uma feira? — perguntei, encostando na porta.
Ela suspirou, jogando-se sentada na beira da cama.
— Não sei o que vestir para a entrevista que o Luca disse que conseguiu. Nada parece certo. — Seus olhos encontraram os meus, quase pedindo socorro.
Me aproximei, agachando para pegar um vestido claro que estava quase sendo amassado pelo salto de uma sandália.
— Esse aqui. É sóbrio, elegante. Mostra confiança sem parecer provocação.
Emma pegou a peça, observando-a contra a luz da luminária.
— Você sempre sabe escolher melhor do que eu.
Sorri de canto.
— É só prestar atenção no que os olhos das pessoas buscam. Luca sempre diz isso.
— Engraçado você citar o Luca agora. — ela disse, com uma pontada de ironia. — Eu acho que gosta dele.
— Talvez. Ele me trata bem.
— Não precisa… — ele começou, mas a voz morreu quando meus dedos ajustaram o nó. A irritação que ainda restava em seu tom foi desaparecendo. — Você pode continuar aí embaixo, se quiser. — murmurou, com um sarcasmo carregado de algo mais. Olhei pra ele e imaginei o que poderia estar pensando.
Fui até o outro pé dele pra conferir o laço, e foi quando ouvi.
— Luca? — a voz suave, melosa, entrando pela porta. Emma havia aparecido.
Meus músculos travaram. Eu ainda estava abaixada, duvido que ela tenha me visto.
— Quem autorizou você a entrar aqui? — A frieza de Luca deixou algo mais claro.
— Desculpe. — a voz de Emma, delicada, quase ensaiada. — Eu só vim avisar que Amélia chegou. Sua mãe pediu para eu falar.
— É pra isso que pago mordomo. — Luca rosnou.
— Bom, ela pediu pra que eu viesse pessoalmente... Chefe.
Porque ela o chamou assim? Será que Luca também pediu isso a ela? Mas pensei que era só comigo essa coisa estranha.
Eles ficaram em silêncio.
— Minha mãe está aqui porque? — Luca perguntou, e pela primeira vez seu tom perdeu a dureza.
A presença de Amélia era uma bomba que caía dentro daquela casa. Eu, ainda ajoelhada aos pés do meu marido, senti o estômago despencar.
O jogo estava prestes a mudar. Com ela aqui eu me sentia desconfortável.
— Sua mãe quer vê-lo.
— Bom, diga pra ela esperar. Quando o jantar estiver pronto peça ao mordomo para me avisar como de costume. Ele sabe como gosto de ser avisado. E então eu terei um tempo para conversar com ela enquanto jantamos.
— Tá.
— Agora saia. Feche bem a porta.
— Sim, chefe...
Eu iria levantar assim que ela saiu, mas Luca me segurou pelos cabelos e me encostou nele. Sobre o zíper, sobre o penis.
— Resolva. — Senti seu pau duro mesmo sobre o tecido da calça.

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