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Roubada no altar pelo chefe da Máfia romance Capítulo 49

Capítulo 49

Riley Collins

Mantive-a onde queria, o suficiente para que o corpo lembrasse do que a cabeça teima em esquecer.

— Você precisa estar atenta a tudo o que eu te falo.

— Luca… — ela sussurrou, um aviso, um cuidado.

— Eu sei. — respondi, sem deixá-la escapar de perto. — Você está confusa, mas precisa obedecer quando dou uma ordem. Pelo menos não vai me deixar tão irritado, Riley. Até porque irritado, não te darei paz.

Fechei a calça, puxei alguns papéis e limpei o chão.

Recostei na cadeira, puxei-a para ficar de pé, frente a mim. Ajeitei uma mecha do cabelo atrás da orelha dela — um gesto que eu não me permito com quase ninguém.

— Escuta. — voltei ao assunto porque, no fim, ele é minha esposa agora — Ninguém tocou naquela gaveta além de você e de mim. Eu chequei. O “Distrito 2” que correu por aí veio de fora do seu teste.

Ela assentiu, séria, os olhos atentos.

— Jackson? — arriscou.

— Talvez. — respondi. — Ou alguém cutucou onde não devia. Vou puxar os fios. Enquanto isso, você mantém o teatro. Não comente nesse assunto com Emma. Se ela vier, você recua. Eu vejo até onde ela quer ir.

— Você acha que ela…? — Riley começou, mas eu ergui a mão.

— Não acho, não de "achar". Eu descubro, com provas. — Fui claro. — E, por ora, fico satisfeito sabendo que você quis testá-la. Demorou, mas abriu os olhos.

Ela respirou, como quem solta uma carga que trouxe o dia inteiro nas costas.

— E sua mãe? — perguntou então, lembrando da peça que Emma tinha movido. — Vai fazê-la esperar?

Olhei para o relógio. O peixe não ia esfriar — eu já tinha decidido.

— Cinco minutos. — concedi. — Depois desço. Deixa o mordomo me avisar como sempre. Mantenha minha mãe ocupada.

— Certo.

Ela se virou para a porta, a mão na chave. Antes que abrisse, eu disse o que raramente digo, e só do meu jeito.

— Riley.

Ela olhou por sobre o ombro.

— Sim?

— Quando você duvidar, duvide comigo. Não contra mim, ou sem querer eu saiba.

Houve um microsegundo de trovoada nos olhos dela. Então veio o aceno curto, o que eu reconheço como “entendido” e “não prometo ser perfeita”. Está bom. Não quero perfeita. Quero leal.

Ela saiu. Reprendi o impulso de voltar para as imagens. Em vez disso, peguei o pendrive de novo, girando entre os dedos. Um pequeno brilho de prata pode incendiar uma cidade inteira. Depende de quem o segura.

Guardei. Endireitei a gravata. A raiva havia perdido o foco.

Quando girei a maçaneta, ouvi ao fundo a risada curta e sem fôlego da minha mãe — aquela risada de quem sempre entra em um ambiente com a certeza de que sabe mais do que todos. Sorri de lado. Amélia sendo Amélia.

Minha mãe tentou argumentar, ajeitando o colar no pescoço.

— Mas, Luca… você nunca gostou de peixe. Eu conheço seus gostos melhor que—

— Mãe. — interrompi, firme, sem elevar a voz. — Se a senhora quer chuleta, fique à vontade. A casa é sua. Emma já está familiarizada com a cozinha, vai te ajudar. Agora vou jantar com a minha esposa. Não gosto de peixe frio.

O silêncio que se seguiu foi pesado. Amélia cerrou os lábios, engolindo a raiva em silêncio, antes de puxar Emma pelo braço e desaparecer pela porta da cozinha.

Só então soltei o ar devagar e puxei Riley ainda mais contra mim.

— Obrigado. — ela sussurrou, com um sorriso discreto, os olhos marejados pela tensão que tinha acabado de passar.

Acariciei a lateral de seu rosto, mantendo-a perto.

— Não precisa agradecer. — sentei-me à mesa, puxando-a comigo. Servi meu prato e o dela.

— Esse peixe ficou ótimo. — provei a primeira garfada e assenti com um sorriso raro, sincero. — Muito bom, Riley. Comi esses dias num almoço de negócios, mas não era tão bom.

Ela riu baixinho, como quem finalmente se sentia segura.

— Pare de... — Eu iria repreendê-la por rir, mas estava tão linda que deixei passar.

— O quê? — puxei um guardanapo.

— Deixar a boca sujar... — disfarcei.

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