Capítulo 51
Luca Black
Deixei minha mãe na porta da casa dela. Amélia saiu sem agradecer, ainda pálida, segurando o crucifixo no pescoço como se aquilo pudesse protegê-la mais do que a blindagem e as minhas pistolas. Fechei a porta da casa dela e apenas fiz sinal para a escolta confirmar o perímetro. Assim que ela entrou, parti.
— Vamos por outro caminho. — ordenei. O motorista obedeceu de imediato, Derrick parecia em dúvida, mas seguiu desviando do trajeto usual. Nunca voltamos pelo mesmo caminho, ainda mais hoje.
A raiva queimava em mim, controlada, mas feroz. O cheiro de pólvora ainda parecia grudado no ar.
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Ao chegarmos em casa, Derrick e os outros já estavam no salão principal. Eles me esperavam. Havia silêncio, o tipo pesado que antecede explicações.
— Quantos feridos? — perguntei, sem rodeios.
Derrick, firme como sempre, respondeu:
— Três. O médico está a caminho, vai atender ainda hoje. Nada fatal, mas um deles perdeu muito sangue.
Andei de um lado para o outro, a mente processando cada detalhe.
— Quem teria a audácia? Quem mexeria comigo desse jeito, sabendo que eu estava dentro do carro, sabendo que minha mãe estava lá?
— Estou fazendo um pré levantamento, chefe.
— Isso não é obra de qualquer um. — murmurei, mais para mim do que para eles.
Do meu lado, Riley falou baixo, como se testasse as próprias palavras:
— Seria possível ser Jackson?
Parei. A olhei de soslaio.
— Não. — minha voz saiu fria, certeira. — Jackson não mataria a própria mãe. É um puxa saco de primeira, não a deixaria desesperada assim.
Derrick pigarreou, chamando minha atenção.
— Eu anotei uma das placas. Fizemos um cruzamento rápido de dados. — Seus olhos endureceram. — A chance é grande de serem comparsas do Méndez.
O nome trouxe um silêncio imediato. Todos me encararam.
— Méndez está morto. — falei, firme. — Eu mesmo cuidei disso.
— Exato. — Derrick concordou. — Justamente por isso. Devem ter descoberto. E se já vieram até você, Luca, é sinal de que vão insistir. Precisamos abrir bem os olhos agora.
Fechei as mãos em punhos, sentindo o sangue pulsar contra a pele.
— Não. — neguei, a voz dura como pedra. — Não vamos assumir nada ainda. Certifiquem-se de que foi isso mesmo. Investigação limpa. Sem ruído, sem deixar rastro.
Me aproximei da mesa, apoiando as duas mãos com força.
— Mas ouçam bem: se foi mesmo Méndez ou os cães dele, mataremos todos antes que ataquem de novo. Não vai sobrar ninguém. Precisamos ser mais rápidos que eles.
— Entendido. — Derrick respondeu. O coro dos homens ecoou junto.

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