Capítulo 52
Riley Collins
Eu não dormi. Nem por um segundo. Apenas fingi. Me virei na cama, ajeitei o cobertor, fechei os olhos como se estivesse tranquila, mas a verdade é que minha mente rodava sem parar. O cheiro da água quente que Luca trouxe do banho ainda estava no ar, e o som distante da torneira fechando ficou gravado na minha cabeça. Ele saiu, e eu sabia que não voltaria tão cedo. Luca nunca volta rápido quando está com raiva.
Esperei alguns minutos. O silêncio se instalou pela casa, quebrado apenas pelo estalar de madeira em algum canto distante. Quando tive certeza de que ele não viria, abri o notebook que ele mesmo tinha colocado nas minhas mãos alguns dias atrás. Disse que eu podia trabalhar, organizar coisas, me distrair. Eu não usava muito. Mas, naquela noite, eu precisava de respostas que ninguém poderia me dar.
Meus dedos hesitaram sobre o teclado. Depois digitei, quase com vergonha do que estava prestes a procurar:
"Como satisfazer um homem sexualmente, sem ser com a vagina?"
A tela carregou dezenas de links. Eu mordi o lábio, o coração acelerando como se estivesse prestes a ser pega fazendo algo errado. Rolei as páginas devagar, absorvendo cada palavra.
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As primeiras respostas não me surpreenderam. Boquete. Eu já fazia. Talvez não com a experiência de mulheres que colecionam amantes, mas eu sabia o que Luca gostava — o jeito que ele gemia baixo quando eu apertava com mais força, o olhar pesado quando eu fazia devagar só para provocá-lo.
Masturbação. Também já fazia. Simples, direto. Às vezes ele guiava minha mão, às vezes me deixava descobrir o ritmo sozinha. Eu já sabia que funcionava.
Mas nada disso parecia suficiente para mim. Não quando eu pensava no que ele merece. No que eu queria dar.
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Foi então que encontrei outra opção: sexo anal.
O termo me fez estremecer. Não era novidade para mim que existia, claro. Já ouvi muito sobre isso na cadeia, lá tudo parecia bem normal. Mas era a primeira vez que pensei seriamente nisso como uma possibilidade real.
Mordi o lábio outra vez, olhando para as descrições. A tela explicava sobre preparo, sobre paciência, sobre lubrificante. Dizia que podia ser prazeroso para ambos, que exigia confiança, que não era algo para se fazer com pressa.
Minha mente girava em perguntas:
Isso é seguro?
Dói muito menos do que tentar pela frente, com esse hímen estrelado idiota que não rompe?
Será que Luca aceitaria? Ou acharia que eu estava ficando louca só de propor?
Voltaria a me chamar de puta por isso?
E se pensar que já fiz isso antes?
Fechei os olhos e imaginei. Não era fácil. Eu ainda tinha medo. Mas junto com o medo vinha uma espécie de curiosidade estranha, quase perigosa.
Apoiei o queixo na mão e continuei lendo. As instruções diziam que era necessário começar devagar, que a dor podia existir no começo, mas diminuía com a prática. Que o segredo era relaxar, confiar, entregar o corpo.
Confiar. Essa palavra me atingiu em cheio. Se havia alguém no mundo em quem eu confiava, era Luca. Ele podia ser bruto, frio, sanguinário… mas comigo, quando eu deixava claro que algo doía, ele parava. Não forçava. Esperava. Isso, mais do que qualquer site, me dava coragem.
Outra dúvida latejou dentro de mim: e se ele não gostar? E se rir de mim?
Mas logo em seguida outra resposta veio sozinha: Luca nunca riu de mim na cama. Nem quando eu errei. Nem quando tentei coisas desajeitadas. Ele sempre corrigia, às vezes com paciência, às vezes com aquele jeito dominador que me deixava vermelha — mas nunca me ridicularizou.
Continuei pesquisando. Descobri que não precisava ser só penetração. Havia mil formas de sexo sem a vagina: com a boca, com as mãos, entre os seios, até coisas que eu nunca tinha parado para pensar — como brincar com o corpo dele em pontos que eu mesma nunca dei atenção.
Mas entre os seios? Como? Eles são tão pequenos... Luca se irritaria ainda mais.
Anotei mentalmente. Experimentos. Possibilidades.
Mas a ideia do anal ficou grudada. Era como se tivesse se instalado em mim só pelo fato de eu nunca ter considerado antes. Se não posso dar a ele por um lado… será que posso por outro?

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