Capítulo 54
Riley Collins
Eu ainda sentia o gosto dele na boca e a ameaça macia daquela voz que sempre me faz obedecer. Luca pousou a palma no meu quadril, como quem toma posse, apertou minha bunda, bateu e aproximou os lábios do meu ouvido. O hálito veio baixo, rouco, com ordem.
— Você quer ir até o fim com o que pesquisou? Então vai no closet e pega o lubrificante. Gaveta de baixo, à esquerda. Agora.
O “agora” dele sempre tem um peso diferente. Eu assenti sem respirar e fui. A camisola roçava minhas pernas como um segredo, e meus dedos tremiam abrindo a gaveta certa. Achei um frasco branco, li, esse mesmo.
Quando voltei, ele já tinha se recostado na poltrona como um rei em trono emprestado, arma sobre a mesa, olhar escuro me seguindo no trajeto inteiro.
— Mostra. — ordenou. — Quero ver que você trouxe exatamente o que eu pedi.
Levantei o frasco. Ele fez um gesto com os dedos para me aproximar mais.
— Boa garota. — a voz dele desceu como um elogio que arde. — Agora põe aqui. — Apontou para a madeira, ao lado do notebook ainda aberto na pesquisa que me deixava corada. — E tira essa camisola. Devagar. Eu disse devagar.
Obedeci. O tecido escorregou dos ombros, e senti o ar do quarto me arrepiar a pele. Ele me olhou como quem pesa, mede, decide. Pousou a mão na minha cintura, os dedos firmes, e me girou de lado, me posicionando de modo que a luz viesse pela lateral, ficando de frente a um espelho.
— Fica assim. — murmurou. — Eu quero ver seu rosto quando você disser se está tudo bem. Porque não acredito mais em você durante o sexo. É uma garota tola. Você mente para me agradar. E eu não preciso de mentira. Eu preciso de verdade.
Meu coração estava num compasso esquisito, entre medo e vontade. Aquele tipo de coragem que vem quando você escolhe confiar. Ele pegou o frasco e o abriu, sem pressa. Os olhos não desgrudaram de mim nem por um segundo.
— Olha pra mim, Riley. — Ele aproximou a mão, o primeiro toque foi cuidadoso, paciente, um mapa traçado em silêncio entre os dois buracos — Você vai respirar comigo. Se doer, você diz. Eu mando em tudo, menos na sua dor. Se sentir dor eu paro. Entendeu?
— Sim, chefe.
— Repete sem gaguejar.
— Sim, chefe.
— Apoia um joelho na beirada da cama. A outra perna fica firme no chão. Abre um pouco. Mais. Isso. Quero você exibida para mim e para você. Olha o espelho. Empina esse rabo pra mim. — As palavras dele me davam comichão.
Eu olhei. O reflexo me deu a Riley que eu raramente encaro: arrepiada, vulnerável, pupilas dilatadas, a respiração já obedecendo à contagem que ele não tinha feito ainda.
Nunca me vi assim, nua quase de quatro, em frente ao espelho.
Quando os dedos dele tocaram a parte de trás de minha coxa e subiram, eu prendi o ar. Ele notou.
A palma dele subiu em um carinho que não combinava com a arma ao lado, nem com o temperamento dele quando está furioso. Era estranho e, ao mesmo tempo, familiar: Luca raivoso por fora, metódico por dentro.
Senti os dedos dele pela primeira vez em outro lugar.
— Hm — a sensação fria do lubrificante em grande quantidade veio como um susto e, depois, como um alívio quando senti seus dedos quentes deslizaram devagar. Só a ponta no meu ânus.
— Respira. — Ele ditou o ritmo, a voz grave marcando o tempo como metrônomo. — Conta até quatro entrando o ar… e até seis soltando. Assim.
Ele o fez no meu ouvido, e eu o acompanhei. Um, dois, três, quatro… solta. E quando soltei, a mão dele alargou meus limites com cuidado e pressão
Eu segui. O corpo foi cedendo, a musculatura entendendo que aquele comando era de prazer. A mão livre dele estancou na minha nuca, dedos abrindo caminho no meu cabelo, ancorando minha cabeça. E uma sensação exótica lá trás.
— Você vai me dizer o que sente. — exigiu. — Sem mentira. Eu não quero bravata, quero verdade.
— Eu… — puxei o ar devagar, o calor subindo. — É diferente. Estranho… mas é bom.

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