Capítulo 56
Riley Collins
Acordei com o som seco do cinto sendo afivelado. A primeira coisa que vi foi Luca, já de pé, de costas para mim, se vestindo. Ombros largos, postura ereta, o rosto refletido no espelho da cômoda — sério, de novo. Sem traços do homem da noite anterior. O peito me apertou um segundo, mas logo lembrei da forma como ele me segurou, da voz rouca me chamando de “boa garota”. Sorri sem querer, lembrando do quanto tinha doído e depois virado prazer.
Quando abri mais o sorriso, ele virou a cabeça devagar. O olhar dele veio seco, certeiro, quase um disparo.
— Por que está rindo? — a voz baixa, dura. — Eu não proibi?
O coração vacilou, mas a boca respondeu rápido.
— Claro, chefe. — engoli seco. Nem tentei justificar. Quando ele começa com a mania de implicar, é melhor não cutucar.
Ele ajeitou a gravata como quem não ouviu.
— Se apresse. Está atrasada. — Um comando frio.
— Hm. — resmunguei baixo.
O peso do silêncio ficou no quarto até ele completar:
— Verifica se sua irmã está pronta para a entrevista. Sairemos em alguns minutos.
Vesti qualquer coisa correndo e atravessei o corredor. Bati a porta do quarto da Emma. Nada. Entrei. Lá estava ela, encolhida na cama como se o mundo não tivesse pressa nenhuma. Meu estômago já estava revirado de ansiedade, mas não pensei duas vezes: arranquei o cobertor de cima dela.
— Levanta! — quase gritei. — Você tem entrevista hoje, sabia?
Emma resmungou, cobrindo os olhos com o braço.
— Riley, pelo amor de Deus… ainda é cedo.
— Cedo? Luca já está pronto. Você quer que ele venha aqui te tirar pelos cabelos? Anda logo!
Ela bufou, rolou de lado e continuou no drama. Eu puxei a almofada, joguei longe e bati palmas como uma maluca.
— Vamos, Emma! Se arruma agora, que eu vou segurar o Luca lá fora. Distrair, sei lá.
A correria começou. Quando voltei para a sala, ele já estava com a chave do carro na mão, impaciente.
— Mas tem horário de almoço? — insistiu. — Eu não vou ficar sem comer. E também não vou trabalhar até tarde. Eu gosto de ter meu tempo livre.
— Ninguém trabalha sem comer.
Luca não respondeu. Continuou dirigindo, os olhos fixos na rua, como se ela fosse uma mosca zunindo no ouvido dele. Mas eu vi, pela forma como a mão dele apertava o volante, que ele estava ouvindo. E atrás de nós muitos carros faziam segurança.
— E finais de semana? — ela prosseguiu. — Porque eu não vou aceitar ficar presa o tempo inteiro.
Respirei fundo. Senti a raiva começando a subir como uma maré grossa. Luca já estava no limite, ajudando porque eu pedi. E ela desdenhando de algo que nem sabe direito.
— Emma, você vai trabalhar, não tirar férias pagas.
Ela revirou os olhos, sem nem se importar com o tom da minha voz.
— Você fala como se fosse fácil, Riley. Você já tem tudo pronto aí com o Luca. Mas eu não vou aceitar qualquer coisa.
Tive que segurar a língua até chegarmos. Eu sabia que, se respondesse ali, o carro virava campo de guerra. E com Luca presente, não era o lugar.

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