Capítulo 57
Riley Collins
No prédio, subimos para a sala da entrevista. O gerente, um homem calvo e educado, explicou pacientemente a vaga. Boa remuneração, carteira assinada, benefícios, chance de crescer. O único detalhe era que, de vez em quando, quando faltava alguém da equipe, seria necessário ajudar a servir café ou limpar uma mesa rapidamente. Nada demais.
Emma fez uma careta como se tivesse ouvido a pior ofensa do mundo. Eu quase enfiei a mão na boca dela para calar. Mas ela conseguiu se conter, pelo menos na frente do gerente, e concordou com um sorriso falso.
Concluímos o processo. Ele prometeu ligar no dia seguinte com a resposta final. Descemos no elevador. Foi ali que Emma resolveu destilar todo o veneno.
— Isso é um absurdo, Riley. Eu não acredito que você me trouxe aqui pra uma vaga dessas. Servir café? Eu? Você acha que eu sou criada? Você acha que eu nasci pra isso?
Meu sangue ferveu. Eu respirei uma, duas vezes. Mas não deu.
— Olha aqui, Emma. — minha voz saiu alta, firme, ecoando no elevador. — Você já está perfeita de saúde. Vou deixar que reorganize sua vida. Se não gostou da vaga, tudo bem. Procure outra. Mas na casa do Luca não dá pra ficar sem trabalhar. Então sugiro que nem volte até conseguir um emprego.
Ela me encarou, olhos arregalados.
— Você tá me expulsando?
— Estou te dizendo a verdade. — retruquei. — Quer moleza, procura em outro lugar.
— Você mudou! — ela atirou, magoada e com raiva. — Tá ingrata, Riley. Esqueceu quem estava do seu lado quando ninguém mais estava.
— Ingrata? — quase ri, mas o riso saiu amargo. — Quem foi que sustentou pra que estudasse? Quem foi presa pela sua saúde? Quem te colocou debaixo do teto do Luca? Quem é que aguentou suas frescuras até agora? Eu. E sabe o que você faz em troca? Reclama. Sempre reclama. Nunca agradece nada.
— Você fala como se eu devesse ajoelhar pra vocês! — ela cuspiu, batendo o pé.
— Não precisa ajoelhar. — respondi fria. — Só precisa reconhecer quando alguém tá tentando te dar uma chance. Mas, se não quer… problema seu.
As portas do elevador se abriram. Saí sem olhar pra trás.
Na rua, bem ali, na esquina, que eu vi a banca de jornais. Me aproximei, tirei algumas notas da bolsa e comprei um jornal dobrado. Entreguei direto na mão dela.
— Aqui. Tem classificados de emprego e de flats. Procura o que quiser. Depois me avisa onde vai ficar pra eu te visitar.
Emma me olhou como se eu tivesse enfiado uma faca no peito dela.
— Riley? Como assim?
Antes que eu respondesse, Luca entrou na conversa. A voz dele cortou o ar como navalha.
— A sua irmã já explicou. — falou, sem emoção. — Boa sorte. Vamos, Riley.
Ele abriu a porta do carro apenas pra mim. O coração bateu forte, mas não hesitei. Entrei.
Emma bateu no vidro assim que ele deu a partida. Abri.
— Se eu conseguir essa vaga… posso continuar morando lá?



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