Capítulo 58
Riley Collins
O carro parou diante da entrada da mansão. Luca desligou o motor, mas não abriu a porta de imediato. Ficou ali, sério, olhando a rua como quem enxerga além daquilo que é visível. Eu já estava com a mão na maçaneta quando a voz dele me trouxe de volta:
— Lembre-se do sigilo, Riley. E cuidado com o que for transferir. Nada de informações erradas no pendrive oficial.
Assenti rápido.
— Sim, chefe. Pode deixar comigo.
Fui descer, mas a mão dele segurou meu braço.
— Me dê um beijo, Riley.
Pisquei, surpresa.
— Agora? Aqui fora?
O canto da boca dele subiu num meio sorriso que não dava para decifrar.
— É exatamente por isso. É bom que achem que o casamento é real.
Suspirei, voltei e me inclinei. O beijo foi curto, firme, mas deixou um gosto estranho na boca, de "quero mais". Nunca sei o que esperar desse homem enigmático que agora carrego como marido. Quando me soltei, ele já tinha voltado a cara séria de sempre.
— Vai. — disse apenas.
Entrei.
Caminhei direto para o depósito, mas não cheguei sozinha. O mordomo surgiu atrás de mim, discreto como sempre, antes que eu entrasse.
— Senhora, tome um café antes de começar. — Ele abriu a bandeja sobre a mesa lateral do corredor. — Tem bolo fresco.
Parei, surpresa com a gentileza.
— Você é bem gentil. Trabalha há muito tempo com a família? — peguei o café.
— Sim, senhora. Eu trabalhava para o primeiro senhor Black, o pai dos gêmeos.
— Então não quis ficar com a Amélia na casa dela? Nem com Jackson...?
O velho sorriu com a serenidade de quem já viu muito.
— Ah, na verdade não. Sempre respeitei o menino Luca porque era igual ao pai. Depois cresceu e mostrou ser chefe desde adolescente. Sabe, senhora, ser chefe não é apenas um cargo. O Luca tomou o lugar dele com o pai ainda vivo. Era o orgulho do senhor Black. Enquanto Jack estava por aí na farra, Luca estava trabalhando, tomando decisões, treinando tiro e postura de verdadeiro mafioso. Eu escolhi meu lado há muito tempo.
Eu respirei fundo.
— Muito bem.
Ele se aproximou mais um passo, baixando a voz.
— A senhora descobriu algo importante nesses papéis? Bom, naquela pilha enorme...
Meu coração acelerou. Luca tinha me pedido descrição. Então sorri com a naturalidade que consegui. Mesmo ele sendo gentil, não precisava saber o que eu sabia.
— Não. Eu sou apenas a secretária do chefe. Empilho, organizo… — menti, de certa forma.
O mordomo estreitou os olhos, mas não de desconfiança. Parecia acreditar em mim.
— É que eu acho que tem alguma coisa aí. O senhor Black estava desconfiado, por isso escondeu essa documentação e deixou aos cuidados de Luca. Acredito que a senhora vá ajudar muito o chefe.
— Obrigada pelo café. — agradeci rápido, pegando um pedaço de bolo e entrando.

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