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Roubada no altar pelo chefe da Máfia romance Capítulo 61

Capítulo 61

Riley Collins

Chegamos em casa num completo silêncio. Fiz um chá de camomila para acalmar a Emma. Luca sentou no sofá enquanto digitava no notebook dele.

Funcionários andavam de um lado para outro e eu sinceramente... Não sabia pra que lado correr.

Uma hora passou.

Emma ainda segurava a xícara de chá com as duas mãos, os dedos trêmulos, e eu tentava acreditar que talvez fosse um começo de calma para ela. Mas a porta se abriu de repente, e Derrick entrou com aquela expressão que nunca anuncia nada bom.

— Chefe. — a voz dele soou firme, baixa. — Tem uma senhora batendo na grade do portão.

Eu franzi o cenho.

— Na grade?

— Isso. Não encontrou a campainha. — Derrick encolheu levemente os ombros. — Gente simples… ou estrategista.

— Estrategista, sem dúvidas.

Luca, que estava em pé junto ao sofá, esticou a mão para o bolso interno do paletó e tirou o celular.

— Vou puxar nas câmeras. — murmurou.

A tela iluminou o rosto dele. Eu me aproximei, ficando de lado, tentando enxergar. Uma mulher simples, cabelos presos de qualquer jeito, mãos agarradas às barras de ferro do portão. Ela gritava, e a voz cortava até mesmo pelo áudio abafado da gravação.

— RILEY! RILEY!

Meu coração disparou. Eu levei a mão à boca sem pensar.

— Eu conheço essa voz… — sussurrei, os olhos ardiam. — É a minha mãe. Estava tão diferente da última vez que a vi. Tão magra.

Luca desviou o olhar da tela para mim. Os olhos dele me examinaram com atenção, como se pesassem riscos, como se calculassem até o ar que eu respirava.

— Sua mãe?

Assenti, com a garganta seca.

— Sim… posso recebê-la?

Ele respirou fundo, fechando os dedos ao redor do celular como quem guarda uma decisão.

— Até pode. Mas aqui, na sala. Sob minha supervisão.

— Tudo bem. — murmurei, porque não tinha escolha.

Derrick saiu para buscá-la. Meu coração batia tão alto que parecia ecoar nas paredes. Minutos depois, ela entrou. Eu me levantei de imediato, os olhos marejados. Era ela. O rosto marcado pelo tempo, as rugas mais profundas, tão magra, mas ainda a mesma mulher que um dia cantou para eu dormir.

— Mãe… — minha voz saiu trêmula, carregada de uma saudade que eu não sabia que ainda doía tanto.

Mas a resposta dela não foi um abraço. Nem mesmo um olhar de ternura. Foi um disparo de fúria.

— Então é isso? — ela cuspiu, as mãos firmes na cintura, os olhos faiscando. — Vocês conseguiram. O Walter foi preso. Acabaram com a vida dele!

Meu peito se contraiu.

— Não, mãe… não foi assim. A Emma—

— Cala a boca, Riley! — ela gritou, e minha pele arrepiou. — Você sempre foi ingrata, mas agora… agora passou dos limites! Arrumou um rico e desprezou a própria família?

— Mãe, por favor, me deixa explicar como aconteceu—

— O Walter me contou tudo! — ela avançou um passo, e eu recuei instintivamente, assustada. — Disse que a Emma se ofereceu. Como sempre.

O ar sumiu da sala. O choro contido de Emma era o único som. Eu estava paralisada, o coração rasgando, porque era a minha mãe ali, caída no chão. Mas também era a mesma mulher que chamava minha irmã de vadia sem pestanejar.

Luca pegou o celular e, sem desviar os olhos dela, abriu o vídeo. Jogou o aparelho à frente. A imagem rodou. Walter agarrando Emma pela cintura. O rosto dela em choque, o corpo rígido, o desespero vivo nos olhos.

— Não… — minha mãe balbuciou, os olhos arregalados. — Isso… isso não pode ser verdade. Não pode…

Ela caiu de joelhos, as mãos no rosto, soluçando. — Ele não faria isso… não faria…

Luca guardou o celular, mas a pistola permaneceu firme.

— Derrick. — a voz dele veio gelada, sem espaço para contestação. — Tira essa mulher da minha casa. Imediatamente.

Derrick entrou de imediato, pegou minha mãe pelos braços e a puxou sem delicadeza. Ela ainda chorava, ainda negava, repetia como um mantra que não podia ser verdade.

— Não acredito… não acredito… — murmurava, a voz se perdendo enquanto era arrastada pelo corredor.

Eu fiquei ali, sem forças. As pernas bambas, o corpo inclinado para frente, como se estivesse prestes a desabar.

Emma continuava encolhida no sofá, os olhos inchados, o rosto escondido entre os joelhos. Eu me ajoelhei diante dela, passei os braços ao redor de seu corpo pequeno e trêmulo, e deixei que as lágrimas corressem livres.

— Eu tô aqui, Emma. — sussurrei, minha voz falhando. — Eu nunca mais vou deixar ninguém te machucar.

— Sai daqui! Eu sei que é culpa sua! É culpa sua! — ela gritou chorando.

— Eu não sabia que o Walter trabalhava lá. Você sabe.

— Sabia sim! Você planejou tudo como da outra vez! Eu não vou te perdoar nunca! — ela saiu correndo e me levantei, mas Luca disse:

— Não. Fica onde está. Tem alguma coisa errada. Eu vou descobrir o que está acontecendo.

— Tudo bem... — ouvi quando Emma bateu a porta ao longe. Acho que entrou em choque.

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