Capítulo 63
Emma Collins
Eu não conseguia parar de chorar.
O travesseiro já estava encharcado, e mesmo assim eu enfiava o rosto nele, tentando abafar os soluços. Não adiantava. As lágrimas vinham como se alguém tivesse aberto uma torneira dentro de mim e quebrado a válvula.
Tudo estava errado.
Riley lá fora, sendo olhada como se fosse uma santa. Luca rondando a casa como o rei que protege o seu trono. E eu… eu trancada, como sempre, como se minha vida fosse uma sequência de jaulas diferentes.
O cheiro dele ainda estava no ar. Walter. Aquele maldito. Bastou alguns minutos perto dele mais cedo para me arrebentar inteira por dentro. A voz dele me fez voltar anos atrás, quando era o padrasto que tinha acesso a mim e me observava pela fresta da porta, esperava todos dormirem pra me destruir.
A mesma respiração pesada, o mesmo jeito de sorrir como se tivesse direito ao meu corpo. Eu queria vomitar.
Não. Eu precisava sair daqui. Se me obrigassem a trabalhar com Walter, eu não ia aguentar. Ia enlouquecer.
Levantei da cama com o corpo trêmulo, as pernas fracas. A lajota fria do chão pareceu tremer sob meus pés descalços. Vasculhei a mesa de cabeceira, abri a gaveta e achei um celular antigo que tinha guardado. Não sei por quê não tinham levado ainda. Talvez Derrick não tivesse achado. Talvez Luca nem se importasse.
Mas o maldito aparelho não funcionava. Até que vi um telefone fixo na parede. Era arriscado, mas era tudo que eu tinha.
Minhas mãos tremiam quando disquei o número. Eu só tinha coragem de ligar para uma pessoa. O único que me tirou do quarto do hospital. O único que, mesmo com seus jeitos duros, não me deixou cair nas garras daquele Walter de novo.
Nunca vou esquecer quando o vi em frente da cama. Walter sorrindo como se eu fosse dele. Dizendo que Riley tinha me vendido. Causado o acidente e o enviado para me buscar. Ah, se não fosse Jackson. Eu estaria presa àquele nojento até hoje. Mas Jackson me ajudou. Ele me tirou de lá e me deixou confortável... Bom, até Riley voltar.
Bem que ele avisou que ela inventaria tantas mentiras para se safar.
Que ódio senti quando o ouvi no telefone com Amélia, mãe dele, dizendo que casaria com Riley porque era pura. Depois de tudo o que vivemos? Eu seria uma amante e minha agressora a esposa?
O confrontei. Só que ele me prendeu naquele lugar. Até que Luca apareceu e me salvou. Não consegui perdoar a Riley. O que fez comigo foi desumano depois de saber como me sentia perto do Walter.
.
A ligação foi atendida:
— Alô? — a voz dele veio rouca, arrastada, carregada de algo que soava como impaciência.
— Jackson… — minha voz saiu em frangalhos, mais um soluço do que uma palavra. — Pelo amor de Deus, você precisa me ajudar.
Silêncio por um segundo. Então o tom dele mudou. Mais macio. Mais calculado.
— Emma? O que fizeram com você?
— Eles… eles querem me colocar pra trabalhar com ele. — pressionei a mão no estômago, tentando segurar a náusea. — Com o Walter. Eu não posso, eu não posso! Eu vou enlouquecer, eu não consigo nem ficar no mesmo corredor que aquele homem. Por favor, me tira daqui. Esquece o plano, não quero me vingar de ninguém. Escuta, eu faço o que você quiser, mas me tira daqui!
Minha voz saiu em gritos abafados. Eu tremia inteira, agarrada no aparelho como se fosse a última corda no abismo.
— Calma. — ele disse, baixo, quase sussurrando. — Eu vou te tirar daí. Eu prometo. Mas você vai ter que confiar em mim.
Engoli seco, fungando.
— Eu confio. Só me tira daqui. Eu tenho tanto medo. A Riley as vezes parece me ajudar, mas fez de propósito me jogando lá com aquele homem que me deixa paralisada.
Jackson suspirou, como quem pensa rápido.
— Tem uma condição.
Meu coração disparou.
— O quê?
— Você vai ter que trazer sua irmã com você.
Fiquei muda.
— Riley? — repeti, sem acreditar. — Eu não posso… ela está sempre com aquele homem, o Luca…
— É exatamente por isso. — a voz dele ficou mais firme. — Enquanto ela estiver na sombra desse mafioso, nunca vai ser livre. Nunca vai ver quem realmente é você. Eu posso tirar vocês duas. Mas preciso que seja você a levar ela. Se eu aparecer, eles matam na hora.



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