Capítulo 64
Riley Collins
Bati devagar na porta do quarto da Emma, mas não ouvi resposta. O silêncio era tão sufocante que parecia engolir até meus passos pelo corredor. Suspirei, já cansada de me sentir uma intrusa, e girei a maçaneta. A porta estava trancada.
Quando me virei, Luca estava atrás de mim. Alto, impecável, o olhar firme me estudando como se já soubesse exatamente o que eu tentava fazer.
— Não hoje, docinho. — disse baixo, mas com aquela firmeza que não deixava espaço pra discussão. — Deixa sua irmã em paz.
— Mas eu só queria…
— Eu disse, não hoje. — cortou, com a calma de quem não precisava erguer a voz pra me dobrar. — Vai se arrumar. Vamos sair pra almoçar.
Arqueei a sobrancelha, sem entender.
— Almoçar?
Ele se inclinou, aproximando o rosto do meu, os olhos carregados daquela mistura de ordem e provocação que sempre me desarmava.
— Eu não repito, Riley.
Bufei, cruzando os braços.
— Ok, eu vou.
Entrei no quarto e comecei a vasculhar o closet. Ainda acho estranho ver tantas roupas penduradas ali, todas novas, escolhidas a dedo por ele no shopping. Luca não confiava em deixar minha imagem ao acaso. Vesti um conjunto elegante, mas simples: saia lápis preta, blusa de seda branca de mangas levemente bufantes, e um salto discreto. No espelho, ajeitei o cabelo solto e passei batom nude rosado.
Quando desci a escada, encontrei Luca de pé, as mãos nos bolsos, esperando. O olhar dele percorreu meu corpo inteiro como se fosse uma inspeção, lento, impiedoso.
— O que foi? — perguntei, bufando.
O canto da boca dele se ergueu.
— Está ok.
— Ok? — repeti, incrédula. — Eu perdi mais de meia hora me arrumando e tudo que tem pra dizer é “ok”?
— Sim. — respondeu, abrindo a porta da sala de jantar para que eu passasse. — Está exatamente como eu queria.
Revirei os olhos, mas antes que pudesse retrucar, soltei um riso irônico.
— Pelo visto não vamos almoçar sozinhos.
— Não. Não estou em nenhum tipo de encontro romântico — ele confirmou, seco. — Quero que conheça os acionistas da empresa que você conheceu hoje.
Fiz uma careta.
— E por quê?
— Porque eu quero. — a resposta veio rápida, como um tapa. — Você é curiosa demais.
— Hm. — murmurei, mordendo o lábio, mas engoli qualquer provocação.
Ele se aproximou, ajeitou a gola da minha blusa com um gesto rápido, depois abriu a porta da frente.
— Agora vamos.
Do lado de fora, vários carros já nos esperavam. Dois à frente, um atrás. Todos pretos, janelas escuras. Entrei no carro com Luca, e logo partimos em cortejo pela rua arborizada.
O silêncio me incomodava. Cruzei as pernas, olhei de lado para ele.
— Você descobriu alguma coisa sobre a emboscada de ontem?
Ele não desviou o olhar da estrada.
— Sim.
— E?
— Depois que eu te deixar em casa, vou resolver esse problema.
Um arrepio percorreu minha espinha.
— Eram os Mendez?
Luca virou o rosto, os olhos gelados fixando os meus.
— Sim.
Respirei fundo.
— O que vai fazer?
— Vou acabar com todos eles. — respondeu simples, como se estivesse falando de apagar um incêndio pequeno.
— Não é perigoso? — ousei perguntar, a voz um pouco mais baixa.
Ele apoiou o braço no encosto do banco, inclinando-se um pouco para mim.
— É. Altamente perigoso.
Meu coração acelerou.
— Meu Deus!
Um sorriso frio surgiu no canto dos lábios dele.
— Pra eles. E pare de me fazer sorrir porque odeio.
— Porque odeia? Eu nunca entendi isso.
— Já chega de perguntas por hoje. Extrapolou todos os limites, senhora Black.


VERIFYCAPTCHA_LABEL
Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Roubada no altar pelo chefe da Máfia