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Roubada no altar pelo chefe da Máfia romance Capítulo 66

Capítulo 66

Luca Black

Derrick voltou rápido, limpando o suor e o sangue seco da testa, ainda arfando da correria.

— Nada, Don. Vasculhei o quarto inteiro. Nenhum bebê, nenhuma armadilha.

Não respondi de imediato. Entrei no quarto, os olhos atentos, varrendo cada detalhe. O silêncio era tão denso que o som das minhas botas no assoalho parecia ecoar.

A cama estava impecável demais, lençóis esticados, travesseiros alinhados. Mas o que me fez parar não foi isso — foi o cobertor rosa, dobrado com cuidado sobre a colcha. Pequeno, macio, cor de algodão-doce.

Me aproximei devagar, peguei-o nas mãos. O tecido ainda tinha cheiro de amaciante, nada de poeira ou umidade. Esse detalhe ficou gravado em mim.

Olhei ao redor: armários já abertos, gavetas reviradas, nada. O choro que ouvira antes tinha sumido, evaporado como um fantasma.

— Prosseguimos. — ordenei, jogando o cobertor de volta sobre a cama.

Derrick deu o sinal aos homens. Voltamos ao andar de baixo. O trabalho sujo começou: corpos arrastados, alinhados no quintal. Um buraco aberto na terra engoliria todos de uma vez. As câmeras eram destruídas com coronhadas, os HDs arrancados, papéis e pastas jogados às chamas da lareira.

A mansão dos Mendez não deixaria herança além do cheiro de sangue.

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Voltei para casa pouco antes das quatro da manhã. A mansão Black estava em silêncio, iluminada apenas por luzes de corredor.

Riley me esperava no sofá, encolhida, os olhos fixos na porta como quem já sabia que eu entraria daquele jeito. Quando me viu, se levantou num pulo.

— Meu Deus… — a voz dela quase falhou, uma mistura de alívio e horror. — Luca… você está coberto de sangue!

Olhei para mim mesmo. Paletó encharcado, camisa escura quase ilegível de tanto vermelho. O cheiro impregnava.

— Não é meu. — respondi, tirando o casaco e o jogando sobre a poltrona de couro.

Ela correu até mim, as mãos tremendo quando tocaram meu braço, depois meu peito, como se buscasse feridas escondidas.

— Você tem certeza? — sussurrou, os olhos marejados. — Não se feriu?

Segurei seu pulso firme, afastando-o devagar.

— Eu nunca volto ferido.

Ela não acreditou de imediato, mas recuou um passo. Respirou fundo, tentando controlar o medo. Depois, sua voz saiu baixa, quase um sussurro de súplica:

— Você precisa de um banho, agora.

— É. Preciso.

Não discuti. Apenas subi as escadas com ela. No quarto, Riley foi na frente, já ligando o chuveiro. O vapor subiu rápido, cobrindo o espelho com névoa. Ela voltou até mim, determinada.

— Deixa que eu ajudo. — disse firme.

Soltei um suspiro baixo, mas não recusei. Fiquei parado, imóvel, enquanto ela abria cada botão da minha camisa manchada. Os dedos tremiam no início, mas depois se firmaram, como se fosse um ritual. A peça caiu no chão com um som molhado.

Depois veio o colete, pesado, duro de tirar. Riley puxou até soltá-lo, deixando escapar um grunhido baixo de esforço.

Ela se ajoelhou para desfazer os cadarços dos meus sapatos. Eu a olhava de cima, o cabelo dela escorrendo pelo ombro, a respiração rápida. Quando tirou os sapatos, jogou-os de lado e levantou devagar, erguendo os olhos até os meus.

— Entre. — ordenou, mas a voz era doce.

Entrei. A água quente caiu pesada sobre mim, misturada ao vermelho que escorria pelo ralo. Riley entrou em seguida, sem se importar em molhar a roupa. Pegou a esponja, ensaboou e começou a passar devagar pelo meu ombro, pelo peito, pelos braços.

Seus movimentos eram cuidadosos, como se quisesse apagar cada marca da noite. Mas eu sentia o olhar dela em mim, pesado, insistente, pedindo respostas que eu não queria dar.

— Como foi? — ela perguntou enfim.

— Resolvido. — respondi, curto.

— Luca… eu quero saber. — os olhos dela se ergueram, firmes.

— Foi o que precisava ser. — desviei o olhar para o vidro embaçado. — Todos mortos.

— Hm.

— Bom, os corpos já estão debaixo da terra. Nenhum idiota sobreviveu.

Riley respirou fundo, a frustração visível. Continuou lavando, mas sua boca tremeu antes de soltar outra pergunta:

— Só isso?

Eu poderia ter ficado calado. Deveria. Mas deixei escapar:

— Foi estranho.

Ela congelou.

— Estranho como?

Passei as mãos pelo rosto, deixando a água escorrer.

— Antes de sair… ouvi um choro. De criança.

Os olhos dela se arregalaram como se tivesse levado um choque.

— O quê?!

— Era um som baixo. — expliquei, a voz controlada. — Mas não encontramos nada. Deve ter sido truque, algum celular gravado.

Ela largou a esponja no chão, saiu do box sem dizer nada, respingando água pelo quarto inteiro. Virou-se para mim, o corpo ainda molhado, os olhos arregalados.

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