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Roubada no altar pelo chefe da Máfia romance Capítulo 70

Capítulo 70

Riley Black

Acordei com o silêncio pesado da manhã. A cama estava fria do lado dele. Estendi a mão no espaço vazio e senti apenas o lençol amarrotado. Luca já tinha saído. Não sei se a ausência dele era uma ordem, um aviso ou só o jeito dele de se manter sempre dois passos à frente. Respirei fundo, forçando o corpo a levantar.

Na arara do quarto, uma das roupas novas me esperava. O detalhe que nunca falha: um pequeno cartão com a data de hoje, na caligrafia precisa dele. Ele tinha escolhido. De novo. Passei os dedos pelo tecido, admirando o corte impecável, mas ao mesmo tempo engolindo um gosto amargo. Será que algum dia vou poder escolher sozinha o que vestir sem que ninguém interfira? Ou, pior, sem que ele precise me lembrar, mesmo em silêncio, de que a vida que tenho agora também tem dono?

Troquei-me devagar, o espelho devolvendo uma versão de mim que parecia mais confiante do que eu realmente era. Arrumei o cabelo, passei batom leve e desci as escadas.

O corredor ainda carregava o cheiro de café recém-passado e o som abafado de vozes. Segui até o quarto da bebê. Empurrei a porta e a cena me parou.

Rúbia embalava a pequena nos braços, num balançar quase natural, como se tivesse nascido para isso. Emma, sentada na beira da cama improvisada, sorria encantada enquanto passava o dedo na mãozinha fechada da criança. E Derrick — o Consigliere que nunca parecia sorrir — estava encostado no batente, braços cruzados, olhar fixo, como quem não quer se aproximar, mas já foi puxado para dentro sem chance de escapar.

Assim que me viu, Emma levantou os olhos arregalados.

— Riley! Por que não me contou sobre essa fofurinha?

Sorri de leve, entrando no quarto.

— Você estava dormindo. E, pelo visto, braços não faltam para segurarem essa pequena...

Emma riu baixinho, voltando a olhar para a bebê.

— Ela é perfeita… Olha essas bochechas, parece de vidro.

— É — respondi baixo, me aproximando. — Perfeita demais para estar aqui.

Rúbia ergueu os olhos para mim, um brilho estranho de ternura.

— Dormiu feito anjo depois da mamada. É impressionante como confia, como se soubesse que está segura.

— Com vocês duas, quem não estaria? — tentei sorrir, mas meu olhar pousou em Derrick. Ele não se moveu.

A bebê soltou um resmungo, e ele descruzou os braços por um instante, como se fosse instinto. Endureceu de novo, mas tarde demais. Eu vi.

— O que foi, Derrick? — provoquei. — Vai me dizer que um bebê te intimida mais que uma reunião de capos?

Ele franziu o cenho, desviando.

— Não é intimidação. É só… responsabilidade demais para caber em braços como os nossos.

— Ou para um coração duro demais? — Rúbia arriscou, sorrindo de canto.

Ele bufou, mas não saiu da porta.

— Vocês acham que sabem de tudo. Mas essa criança não é brinquedo, nem enfeite. Se ela ficar… vai mexer com todos nós. Talvez seja melhor entregar a alguém.

Emma segurou a mão da bebê, séria de repente.

— Talvez seja disso que a gente precisa. Algo… ou alguém… que lembre que ainda existe inocência.

— Então vamos para o escritório. — Luca respondeu e olhou para nós — E vocês... Se agilizem. A Emma vai trabalhar na empresa. O motorista vai levar e trazer. Não tem mais nenhuma porra de Walter nenhum lá.

Olhei pra Emma que ficou branca.

— Será que a Riley pode ir comigo? Seria só hoje. Por favor. Eu não estou negando de trabalhar, eu só quero me sentir segura. — Emma pediu, olhando para ele.

— Bom, eu solicitei a mobília nova para o escritório dela aqui na casa. Vai chegar hoje. Acho que pode ir para a empresa e mexe nas coisas daqui amanhã. Ah! E aproveita e pede para a equipe de manutenção providenciar o conserto das câmeras do almoxarifado que não funcionam desde ontem ou até mais.

— Certo. Vou cuidar disso. — Respondi — Mas, e... Quanto a bebê? O que vamos fazer? Levo comigo na empresa? — ele endureceu o olhar e veio mais perto.

— Nem pensar! Eu já disse pra não se iludir, porque não pretendo ficar com essa menina. Se você aparece com ela, podem surgir inúmeros boatos. Merdas que manchariam meu nome. Eu não ligo pra isso, mas posso ter problema com a herança do meu pai. Principalmente o cargo que posso perder por ter filho ilegítimo ou o caralho a quatro que eles imaginem.

— Nossa... — senti meu coração apertar.

— Rúbia vai cuidar dela hoje. Pronto. Satisfeita assim? Quando você voltar do trabalho pode ajudar, mas nunca esqueça. É por pouco tempo.

Olhei para a bebê que sorriu para Luca.

Coitadinha... Se soubesse o que ele está falando... Iria é vomitar no peito ou no ombro dele na primeira oportunidade.

— Emma! Assim que o Derrick me passar as informações, quero você no escritório. Tenho algumas coisas pra conversar sobre o novo trabalho. Não me faça esperar. — Luca exigiu. Fiquei olhando.

O que foi agora?

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