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Roubada no altar pelo chefe da Máfia romance Capítulo 71

Capítulo 71

Luca Black

Fechei a porta do escritório com força, o som ecoando no silêncio pesado. Derrick já estava lá, em pé diante da mesa, as olheiras marcadas como se tivesse carregado a noite inteira nos ombros.

— Fala logo. — ordenei, jogando o paletó na cadeira e acendendo um cigarro.

Ele respirou fundo.

— Descobri quem era a mãe da menina.

Franzi o cenho.

— Já? — olhei no relógio.

— Voltei lá e consegui as informações que precisávamos — respirei fundo, o encarei de perto.

— Voltou como, caralho? Agora são sete horas. Nós voltamos às quatro. Você nem dormiu?

— Não. — respondeu firme. — Eu precisava descobrir. Levei apenas dois homens comigo. Já avisei que terão folga e um extra pelo risco.

A preocupação dele era estranha. Derrick não fazia nada sem cálculo, e agora parecia... pessoal.

— Tá, e o que descobriu?

Ele hesitou um segundo, depois deixou a bomba cair.

— Encontrei um corpo de mulher na lavanderia da casa onde a pequena foi achada. Tinha no máximo vinte anos. Morta, caída no chão frio.

Endureci.

— Mataram ela? Foram nossos homens que acertaram tiros?

— Não, nenhum tiro. Ela já estava morta e parcialmente escondida com um lençol, num canto. Eu acho que morreu por hemorragia. — ele continuou, a voz seca, mas com uma raiva escondida. — Sinais de violência sexual extrema. Roxos por todo o corpo. Cicatrizes nos pulsos, marcas de corda. Eles a mantinham presa, Don. Não tem como saber quem é o pai da menina.

Traguei fundo o cigarro, o gosto amargo batendo no estômago.

— Filhos da puta.

— A criança está registrada como Mia Miller. — Derrick abriu uma pequena pasta sobre a mesa. — Encontrei o registro numa bolsinha junto ao corpo. Os dados conferem. Data de nascimento, tudo. No fim, salvamos a menina, chefe. Mas o certo era chamar um médico e verificar se não fizeram nada com ela também.

— Cretinos! — rosnei, batendo o punho na mesa. O cinzeiro tremeu, quase caindo. — Vou chamar o médico ainda hoje.

O silêncio pesou. Derrick me olhou firme, os braços cruzados, como quem carregava mais do que dizia.

— Don… só uma pergunta. O que pretende fazer com a menina? Mia?

Passei a mão pelo rosto, frustrado.

— Não sei. Você sabe que eu não posso ficar com ela.

— É, eu sei. Por isso perguntei.

Ele inclinou a cabeça, esperando mais. Eu continuei, cuspindo cada motivo como um veneno que não queria engolir.

— A máfia exige herdeiro legítimo. Achariam que Riley não era virgem quando casamos e já tinha um filho. Ou pior: que não podemos ter filhos. Já pensou a merda que ia dar? Boatos, especulações, cada caporegime inventando um motivo diferente pra me derrubar.

Derrick ficou quieto por um instante, depois soltou baixo:

— Eu poderia ficar com ela. Com a menina Mia.

Meu olhar disparou até ele.

— Ok, chefe.

— Quando sair, chame a Emma Collins pra mim.

— Farei isso.

.

A porta bateu devagar, e Emma entrou. Cara fechada, braços cruzados, olhar enviesado para mim e para a cadeira onde Derrick tinha estado segundos atrás.

— Ele ficou me olhando. Aquele seu Consigliere— soltou, já na defensiva.

— Ignora. — cortei seco. — Fecha a porta.

Ela hesitou um instante, depois obedeceu. O clique da tranca ecoou. Peguei a pistola do fundo da gaveta, coloquei-a sobre a mesa, e vi como os olhos dela arregalaram.

Não falei nada por alguns segundos. Apenas passei o pano, lustrando a arma. Devagar. Apontando em sua direção. A ameaça estava clara, e eu queria que ela sentisse.

— Vou ser direto. — soltei, a voz firme. — Sei dos seus planos.

— P-planos? — gaguejou, tentando sorrir, a voz mole como açúcar diluído. — Não há nada pra saber, Luca…

— Me chame de chefe.

Abaixei os olhos para a pistola, girando-a entre as mãos. Depois, ergui o cano na altura dela. — Tem três segundos pra me contar porque quer vingança da pessoa que deu tudo dela por você. — o tom saiu como veneno. — Que te tirou da casa do seu padrasto abusador. Que trabalhou dia e noite pra te sustentar, pagar seus estudos. A que te levou para o hospital… e foi até presa por sua causa.

— E-eu…

— Eu investiguei. — cortei, ríspido. — Também ouvi sua ligação com Jackson. Se não me contar agora que porra e essa, eu vou te matar, e Riley nunca vai saber que fui eu. — inclinei a arma, firme na mão. — E não me subestime. Tenho inúmeras formas de fazer isso. Pode escolher. Quem sabe eu te ouça e Riley possa ver a irmãzinha de novo.

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