Capítulo 73
Luca Black
Levantei de repente, a cadeira arrastando contra o piso de madeira com um estrondo que fez Emma se encolher. Eu estava cheio. Cheio daquela cara de coitadinha, cheia de meias-verdades, cuspindo veneno como se tivesse descoberto o mundo.
Abri a gaveta com força, quase arrancando a porra do puxador. Meu braço latejava de raiva enquanto puxava uma pasta preta, abarrotada de papéis.
Empurrei tudo contra ela com um baque seco na mesa.
— Você é uma idiota, Emma! — rosnei, cuspindo cada sílaba. — Enquanto sua irmã se ferrava por você, a boazuda estava lá... planejando contra ela.
Ela arregalou os olhos, as mãos hesitando em tocar a pasta, como se tivesse medo do que encontraria.
— O quê? — gaguejou.
— Abre essa merda! — bati com a palma aberta sobre os papéis. — Vai ver com os próprios olhos antes de falar mais besteira.
Os dedos dela tremiam quando puxaram as primeiras folhas. O rosto empalideceu conforme lia. Eu caminhei pelo escritório como um leão enjaulado, tragando o cigarro com fúria, o gosto amargo se misturando ao sangue fervendo na boca.
— Isso… isso é o quê? — ela sussurrou.
— Cópias, Emma. Documentos oficiais, relatórios de polícia. — bati o dedo contra a mesa, inclinando-me sobre ela. — O motivo da prisão da Riley. Sabe o que foi? Jackson armou pra ela.
Ela piscou, confusa, como se as palavras não fizessem sentido.
— Armou… como?
— Como todo filho da puta que sabe manipular. — puxei outro maço de papéis da gaveta e joguei em cima dela. — Uma mala com coisas ilegais. Sua irmã foi feita de mula, sem nem perceber. E ele fez de caso pensado.
Emma levou a mão à boca, a respiração curta.
— Não… não pode ser.
— Pode sim, porra! — bati na mesa, fazendo-a pular na cadeira. — Enquanto você se agarrava ao pau do Jackson achando que era salvação, a Riley tava presa, sendo acusada por uma merda que nunca fez.
Ela começou a balbuciar, perdida, e eu não tive paciência. Peguei o controle e apontei para a televisão presa na parede à frente da mesa.
Um estalo, a tela acendeu, e eu selecionei o arquivo.
— Olha bem. — minha voz saiu gelada. — Quero ver até onde vai a sua cegueira.
A imagem granulada de um hospital surgiu. Corredores brancos, frios, câmeras de segurança.
— Um hospital? — Emma perguntou, a voz vacilante.
— Sim, a porra do hospital que você estava internada. — avancei até ela, forçando-a a olhar. — E olha lá como sua irmã estava.
O vídeo mostrava Riley sentada numa cadeira de plástico no corredor. O cabelo desgrenhado, os ombros caídos, olheiras profundas embaixo dos olhos. O rosto dela estava inchado, marcado por noites sem dormir.
Eu não disse nada. Só aumentei o volume.
Na tela, Riley falava com alguém fora de quadro. A câmera pegava apenas o perfil dela, mas dava pra ver os olhos vermelhos de tanto chorar.
— Meu Deus… — Emma sussurrou, a mão apertando o braço da cadeira. — Então ela sofreu? Não planejou o acidente...
Outro vídeo começou. Riley estava no mesmo lugar, mas agora segurava uma marmita fechada. Ela empurrava de lado, sem tocar.
— Nem comeu. — murmurei, encarando Emma. — Ficava dias sem engolir nada, preocupada com você.
Emma mordeu o lábio, lágrimas já se acumulando.
De repente, a imagem mudou. Jackson apareceu no corredor. Terno engomado, aquele sorriso canalha que eu conhecia tão bem. Ele se aproximou de Riley devagar, se abaixou ao lado dela e começou a falar.
Emma se inclinou para frente, tensa.
— Ele… ele estava com ela?
— Sim. — falei seco. — E sabe o que fazia? Convencia a sua irmã a te salvar da morte. Sendo que você só estava sedada.
Na tela, Jackson tocava o ombro de Riley, sussurrando coisas que a câmera não captava direito. Mas dava pra ver a expressão dela: quebrada, vulnerável. Aos poucos, ela balançava a cabeça, concordando.
— Ele descobriu as fraquezas dela. — expliquei, cada palavra saindo como veneno. — O medo de perder você. A culpa por não ter te protegido. Ela aceitava qualquer coisa pra pagar o tratamento que você precisava.
No outro vídeo, dava pra ouvir a conversa deles:
— Entrega a mala no meu endereço que eu cuido do mês inteiro de custos da sua irmã.

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