Capítulo 74
Riley Black
Luca me chamou pra ir com ele para a empresa. A cidade passava em cortes rápidos pela janela: semáforos, vitrines, gente com pressa.
Ele tinha dito, ao sair de casa, que Emma faria “umas coisas” para ele na casa e iria depois.
Estranho.
A palavra ficou martelando no fundo da minha cabeça, cutucando como unha em madeira. Mas Luca não deu margem para questionar; o tom dele foi o de quem encerra uma reunião, não o de quem abre conversa.
Chegamos no prédio da empresa. Vidro e aço apontando para o céu. Quando nosso carro entrou pela garagem privativa, dois homens do time já esperavam, postura ereta, rádio no ouvido. Um deles abriu minha porta.
— Senhora Black. — “Senhora”.
O elevador exclusivo nos engoliu, espelhado, silencioso. Luca colocou a mão no meu dorso, quente, firme. Era um gesto simples, mas nele sempre havia comando e cuidado, na mesma medida. Eu respirei fundo, alinhando os pensamentos. Quando as portas abriram, uma muralha de olhares me esperava: recepção, gerência, gente de terno, gente de colete, gente que fazia as rodas girarem sem aparecer nas fotos.
Luca não parou para aquecer o terreno. Foi direto ao ponto, como sempre.
— Bom dia. — A voz dele atravessou o saguão. — A partir de hoje, esta é a sua CEO. Riley Black.
Ouvi o ar sendo puxado de vários peitos ao mesmo tempo. Alguns sorrisos, algumas sobrancelhas arqueadas, alguns olhares de alívio. O que me pegou desprevenida foi o fato de que ninguém pareceu chocado. Não houve aquele “ah!” de surpresa que eu esperava.
Em vez disso, anotações começaram a ser feitas, duas pessoas já digitavam, uma terceira acenou com um tablet como quem confirma uma informação previamente recebida.
Eu virei o rosto de leve para Luca, sem esconder a pergunta.
— Eles… já sabiam? — sussurrei.
Ele inclinou-se na minha direção, os dedos tocando o meu punho por um segundo — um gesto íntimo em público.
— Enviei um e-mail oficial ontem à noite. — falou baixo, só para mim. — Memorando, organograma, cadeia de comando, tudo assinado. Bem-vinda à sua mesa.
Eu sorri, pequeno e sincero.
Fomos até a sala que agora era “a minha”. A placa na porta já estava trocada. “Chief Executive Officer — R. Black”.
Passei o dedo sobre a gravação metálica, sentindo o frio. Dentro, a mesa de madeira fumê parecia um palco. O computador novo ainda cheirava a plástico, duas telas, uma docking station pronta, post-its num dispenser transparente.
Na parede, um mapa da malha de distribuição; na outra, o mural com fluxos de frota, cores e números que eu já tinha aprendido a decifrar nos últimos dias. Uma cafeteira humeava discreta no aparador. Detalhes. Alguém pensou em mim quando montou aquele espaço. Eu reconheci a mão de Luca nessa delicadeza silenciosa.
— Senta. — Ele puxou a cadeira com um dedo no encosto, como quem abre uma dança. — Vamos trabalhar.
Eu me acomodei e, sem perder tempo, ele começou a disparar as peças no tabuleiro.



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