Capítulo 75
Riley Black
Em casa, o som nos recebeu antes de qualquer pessoa: parafusadeiras, martelo compassado, o arrastar acolchoado de móveis pesados. A porta do corredor principal estava escorada por um plástico grosso para não arranhar nada; o cheiro de madeira recém-lixada e verniz doce enchia o ar. Três homens trabalhavam no meu escritório de casa — e me deu um calor besta no peito dizer “meu escritório” —, montando uma mesa em L.
— Dona Riley, bom dia. — Um deles sorriu sem tirar as luvas. — A gente está finalizando os armários também. Gaveta com trava, como o chefe pediu.
Eu andei pelo espaço, tocando as quinas, medindo com o corpo as distâncias entre a mesa e a janela, o passo até a estante.
— Ficou lindo. — sussurrei, mais para mim do que para eles.
Eu me distraí com um conjunto de pastas cinza grafite, passando o dedo pelo relevo. Não ouvi o passo; eu senti. A mão de Luca encostou na minha cintura com a precisão de quem conhece o caminho no escuro. O toque tinha duas temperaturas — a do dedos e a do que vinha neles. Eu me virei.
Ele me olhava com desejo. Já conheço seu olhar. Sua respiração estava mais forte e o toque mais possessivo.
— Vem comigo, Riley…
Foi uma ordem. Eu obedeço muito bem ordens que nascem desse tom.
Atravessamos o corredor até o escritório dele. Ele segurou a maçaneta, empurrou a porta, esperou que eu entrasse, e fechou.
Luca não me deu tempo de pensar. Foi até mim e me beijou. Não foi um beijo educado; também não foi brutal. Foi aquele beijo que ele sabe dar quando quer me lembrar de onde venho e para onde vou — de quem eu sou com ele.
A mão na minha nuca guiou a inclinação da cabeça; a outra mão ainda na minha cintura, firme, mantendo-me exatamente onde ele me queria. Eu me surpreendi, sim — não pelo beijo, mas pelo timing. Ele sempre escolhia o segundo exato em que a minha guarda estava distraída para baixar a própria.
— Achei que ia me colocar para trabalhar sem respiro. — falei contra a boca dele, ofegante, quando a gente precisou de ar.
— Estou te dando uma pausa. — Ele encostou a testa na minha, olhos fechados por um instante raro. — E deixando registrado que gosto de te ver nessa cadeira, mas prefiro você nas minhas mãos, com a boca em algum lugar em mim.
Eu ri baixo, daquela risada que sai quando o corpo já disse “sim” antes de você.
— Está rindo, Riley?
— Não. Foi impressão sua.
Ele me conduziu até a mesa, e eu deixei. O tampo frio encostou na parte de trás das minhas coxas, e Luca, entre mim e a luz, tinha o contorno de um perigo que eu escolho todos os dias.



VERIFYCAPTCHA_LABEL
Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Roubada no altar pelo chefe da Máfia