Capítulo 77
Riley Black
Entramos no carro depois de colocarem nossas malas no porta-malas. Luca tinha a mão esquerda firme no volante e a direita pousada sobre a minha coxa. Não era carinho. Era posse. O polegar dele traçava círculos lentos, quase distraídos, mas eu sabia: cada gesto dele era calculado, cada toque servia para me lembrar de quem eu pertencia.
Quando chegamos, a visão do jato particular me fez engolir em seco. Branco, imenso, com o brasão discreto da família estampado na lateral. Homens de terno esperavam na pista, postura ereta, como se cada um fosse parte da sombra dele.
— Sobe. — Luca ordenou, saindo do carro e abrindo minha porta sem esperar resposta.
Obedeci. Sempre obedeço.
No interior do jato, o luxo parecia um outro mundo. Poltronas de couro creme, iluminação suave, vinho já disposto em taças de cristal, e uma equipe reduzida que sabia exatamente como agir: em silêncio absoluto. Eu me acomodei, e Luca logo se sentou ao meu lado, segurando minha mão. O avião começou a se mover, e senti o peito apertar quando percebi que não havia mais volta.
— Pra onde estamos indo? — arrisquei.
Ele me lançou aquele olhar que sempre parecia enxergar o que eu não dizia.
— Suíça. — respondeu. — Hospital de renome. Ninguém da família vai se meter.
A palavra “Suíça” ecoou dentro de mim. Eu nunca tinha estado lá, só lido em revistas sobre paisagens nevadas, clínicas luxuosas escondidas entre montanhas. Não era um lugar para se esconder — era um lugar para se enterrar em silêncio absoluto, onde só os que tinham dinheiro e poder suficiente podiam pagar pela privacidade.
— Caramba. Parece bom.
As horas de voo passaram como um borrão. Eu tentei dormir, mas a mente não desligava. O toque dele ainda latejava na minha pele, e a lembrança das últimas palavras que disse — "Eu quero você inteira" — repetia-se como mantra.
.
Quando finalmente descemos, o frio europeu me atingiu em cheio. Um carro preto já nos aguardava, aquecido, com motorista de luvas impecáveis. A estrada parecia uma pintura: florestas de pinheiros cobertos de neve, lagos congelados refletindo o céu pálido, vilas discretas encravadas nas montanhas.
Luca manteve a mão sobre a minha durante o trajeto, sem falar quase nada.
O hotel em que ficamos parecia saído de um cartão-postal: fachada de madeira escura, janelas iluminadas como pequenas lareiras, recepção silenciosa com tapetes grossos e lareira crepitando. O quarto era imenso, com vista para os Alpes. Uma cama king-size coberta de edredons brancos, poltronas elegantes, e uma varanda que deixava ver o horizonte nevado.
Eu ainda estava encantada com o lugar quando ele fechou a porta e largou a mala ao lado. Virou-se para mim com aquela firmeza que não dava espaço para dúvidas.
— Já agendei o procedimento. — disse, direto. — Será amanhã cedo.
A respiração me prendeu no peito. Eu apenas assenti, tentando processar. Mas a confusão não me deixou calada.
— Luca… — comecei, baixinho. — Por que tantas mudanças de uma hora pra outra?
Ele arqueou a sobrancelha, em silêncio.
— Pensa bem. — continuei. — Você me levou para a empresa, me apresentou como CEO, me encheu de trabalho… depois, quando Emma chegou, me tirou de lá às pressas, me levou pra casa, pro escritório, e do nada decidiu que eu faria a cirurgia.
Ele cruzou os braços, apenas me observando.
— Está acontecendo alguma coisa? — insisti. — Ou… está me distanciando da bebê?
Engoli em seco, sentindo a dor que a pergunta carregava.
— Porque se for isso… eu entendi o que você me disse. — respirei fundo, firme. — Deixaremos Derrick adotar.
O olhar dele mudou. A rigidez se quebrou, e vi a raiva latente brilhar por trás dos olhos escuros. Ele caminhou até a varanda, abriu a porta e soltou a fumaça do cigarro no ar gelado. Ficou ali, em silêncio, até que finalmente falou:
— Não confio na sua irmã.
As palavras me atingiram em cheio.
— Como assim? — sussurrei.
Ele virou-se, os olhos duros fixos em mim.
— Emma não é a vítima que você pensa. — disse, cada sílaba carregada de veneno. — Eu ouvi da boca dela. O ódio, a inveja. Por mais que eu possa liderar um exército pra te proteger, ela é alguém de dentro. Fácil acesso, fácil manipulação.
Meu peito apertou.


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