Capítulo 80
Luca Black
A manhã chegou como eu queria. O quarto ainda estava aquecido, Riley aninhada no meu peito, a respiração dela calma contra a minha pele. Fiquei alguns minutos apenas observando. O cabelo bagunçado, a boca entreaberta, a pele que ainda carregava marcas minhas.
— Acorda, Riley. — falei baixo, passando a mão pelo rosto dela.
Ela abriu os olhos devagar, preguiçosos, mas logo sorriu.
— Já é hora? — a voz rouca de sono.
— É. O carro nos espera.
Tomamos café rápido no quarto, roupas escuras, casacos pesados. Saímos pelo corredor do hotel em silêncio, apenas eu e ela, seguidos de dois dos meus homens que ficavam sempre a uma distância calculada. A Suíça tem essa mania de parecer calma demais, limpa demais, mas eu sei que qualquer lugar pode ser perigoso se você for quem eu sou.
O hospital ficava em Zurique, o mais conceituado que meu dinheiro e meus contatos poderiam pagar. O médico já estava avisado e nos esperava na entrada lateral, onde carros blindados podiam estacionar sem chamar atenção.
— Senhor Black. — ele nos recebeu com um aperto de mão firme, olhar respeitoso. — E esta deve ser a senhora Black.
Riley corou de leve, mas assentiu.
— Sim. — respondi por ela. — Vamos direto ao ponto.
Fomos conduzidos por corredores silenciosos até uma sala de consulta ampla, de paredes claras e cheias de equipamentos modernos. O médico, suíço de nascimento, mas treinado em Londres, abriu a pasta com nossos dados.
— Fiz algumas leituras prévias, mas preciso examiná-la. — disse com um sotaque carregado, apontando para a maca.
Olhei para Riley. Ela respirou fundo, assentiu e subiu, deitando com cuidado. Eu fiquei ao lado, segurando a mão dela.
O exame não demorou. O médico foi preciso, técnico, quase frio.
— Hímen estrelado. — explicou ao terminar. — Há uma pequena ruptura, aproximadamente um quarto. É melhor fazer o procedimento e poupar muita coisa.
— Então faça. — falei, seco.
Ele ergueu os olhos para mim.
— Antes preciso de exames laboratoriais. Não é um procedimento que se inicia sem garantias de segurança.
Não discuti. Apenas assenti. A enfermeira entrou, delicada, e aproximou-se de Riley com uma bandeja de coleta.
— Vai doer só um pouco. — murmurou em inglês.
Riley estendeu o braço, mas manteve os olhos em mim. Eu os segurei de volta.
O sangue foi coletado rápido. Tubos lacrados, encaminhados para análise imediata.
— Levaremos cerca de uma hora. — disse o médico. — Podem esperar na sala ao lado.
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A sala de espera era quase um lounge de hotel cinco estrelas. Sofás de couro macio, mesa de centro com revistas de arquitetura e finanças, café servido em porcelana. Sentei-me com Riley encostada ao meu lado, o casaco dela sobre as pernas.
Enquanto esperávamos, o mundo não parava de exigir minha atenção. Peguei o celular, abri mensagens cifradas, e comecei a resolver problemas que se acumulavam entre a empresa e a máfia.
Um carregamento atrasado em Marselha. Um funcionário tentando atravessar fronteiras sem autorização. O conselho pedindo relatórios.
— Você nunca para. — Riley comentou, apoiando o queixo no meu ombro.
— Eu paro sim. Preciso. Vou resolver isso.
Em seguida, chamei um dos meus homens por vídeo. O rosto dele apareceu na tela, atento.
— Preciso de um celular novo. Agora. — ordenei. — Último modelo, discreto, sem rastros. Traga para o hospital.
— Sim, Don.
Desliguei. Riley me olhou, confusa.
— Pra quê?

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