Capítulo 84
Rúbia Miller
Eu saí daquela sala com as pernas bambas, como se tivessem tirado o chão debaixo de mim. Tudo o que eu sabia da minha vida virou fumaça em minutos. Minha irmã… Lia… morta. E a criança que eu cuidava como se fosse filha, era minha sobrinha de verdade.
O corredor parecia mais comprido que o normal, e o coração batia forte no peito.
— Rúbia. — a voz do Consigliere me alcançou pelas costas. Virei devagar. Ele estava parado à porta, imenso, a sombra dele cobrindo metade do corredor. — Vamos conversar no jardim.
Assenti sem forças. Andei ao lado dele até o quintal, o ar frio da noite me cortando a pele. O cheiro de terra molhada parecia realçar cada respiração.
— Você tem alguém? — ele perguntou de repente, sem rodeios. — Algum namorado?
Engoli em seco.
— Eu… tinha. — murmurei, olhando para o chão de pedra. — Na outra casa, a de campo, onde eu trabalhava para os Black. Mas quando vim pra cá… acabou.
— Acabou como? — ele insistiu.
Respirei fundo, fechando os olhos um segundo.
— Uma mulher mandou uma foto dele deitado sem camisa, dormindo. Ela estava ao lado. Eu não aguentei. Terminei. Preferi estudar, me dedicar. Não olhei mais pra ninguém.
Senti o peso do olhar dele. Levantei os olhos devagar. Tão alto, tão imponente… ao lado dele, meus 1,53 pareciam coisa de criança. O homem escondia a beleza atrás da barba longa e do cabelo desalinhado, como se não se importasse. Mas eu via. E isso me assustava.
A coragem me escapou pela boca:
— Esse casamento… vai ser só no papel? Só pra gente conseguir a adoção da Mia?
Ele deu um passo à frente, tão perto que o ar entre nós esquentou.
— Não. — a voz grave vibrava em mim. — Um casamento é um casamento. Quero uma família.
Meu coração disparou...
— Ahh...
— E já vou deixar claro. — continuou. — Eu não posso ter filhos. Sou estéril. Então, se sonha com isso, não aceite a proposta. Eu converso com o Don e resolvo. Só que eu quero a menina, e se não for você, vou encontrar outra esposa.
As palavras entraram como pedras.
— Mas eu sou a tia dela… — protestei, quase sem voz.
Ele inclinou o rosto, frio.
— Que bom. Poderá visitá-la e trazer presentes de vez em quando.
O peito me queimou de indignação.
— Quanto egoísmo…
— Bom, decida logo. — ele rebateu. — Até o exame, você ainda pode escolher. Depois, não posso ir contra a vontade do Don. Ele já decidiu, está decidido.
Apertei as mãos contra o avental.
— Tudo bem… — Sabia que nunca conseguiria competir com eles. Estão muito alto nessa hierarquia, e eu sou apenas uma pedrinha pequena e sem cor dessas que entram no sapato e eles tiram. Fazendo voar longe.
Ele ergueu a mão e segurou meu queixo, me obrigando a encará-lo. Meu coração disparou. Afastei-me no mesmo instante. Tive a impressão que queria me beijar, mas não sinto nada por ele.
— Não gosta da minha aparência? — ele perguntou, estudando minha reação.
Olhei rápido para ele inteiro.

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