Capítulo 87
Emma Black
Tentei reagir no instinto. O primeiro movimento foi jogar o peso do corpo para frente, como se um impulso bastasse para quebrar a distância entre nós e abrir uma rota de fuga. Jackson estava preparado. A mão dele desceu no meu ombro com força, girando meu corpo e me prensando de costas contra a parede. O impacto fez uma dor seca subir pela nuca.
— Larga… — tentei, empurrando o peito dele com as duas mãos.
Ele não largou. Em vez disso, cravou os dedos na minha mandíbula, me obrigando a olhá-lo. Aquele rosto que um dia me confundiu com promessas vazias estava agora inteiramente exposto: frio, irritado, prático. O tipo de homem que não pensa duas vezes antes de esmagar o que atrapalha.
— Vamos fazer do jeito fácil, Emma. — a voz dele veio baixa. — Chama a Riley. Agora.
— Vai pro inferno. — cuspi, e tentei pisar no peito do pé dele.
Ele desviou e me puxou pelo braço como se eu não tivesse peso nenhum. Me arremessou no sofá. Caí de lado, os joelhos raspando no tecido áspero, a respiração saindo em soluços curtos de raiva. Tentei levantar — o dorso da mão dele veio rápido e estalou na minha bochecha. Um clarão branco, um zumbido no ouvido, e a sala balançou antes de voltar para o lugar.
— Liga. — ele repetiu, como quem dá um comando a um cachorro.
Levei a mão ao rosto, que ardia. O gosto de sangue apareceu discreto, metálico, na boca. Ainda assim, não tirei os olhos dele.
— Eu disse pra ligar pra Riley. Vou tirar vocês duas dessa cidade se for boazinha.
Ri, um som rouco e curto.
— A mesma conversa? — perguntei, amarga. — Ainda tem coragem, depois de tudo?
Ele franziu o cenho, impaciente.
— Do que você está falando?
Endireitei o corpo, sentando no sofá com a coluna rígida, as mãos fechadas em punhos no colo. A raiva me manteve de pé por dentro.
— De você. — falei, firme. — De todas as mentiras. Você me usou, usou a Riley, inventou histórias para nos virar uma contra a outra. Fingiu que era salvador quando, na verdade, puxava os fios da desgraça. Desde o começo.
— Não é verdade. — ele rebateu na hora. — Estão te manipulando. Você sabe do que esse povo é capaz. Eu te dei abrigo, e Riley também teve suas vantagens.
Meus dedos tremeram.
— Te ouvi, acreditei, chorei. Fiz papel de idiota por sua causa.
— Chega. — rosnou. A mão veio de novo, certeira, acertando o outro lado do meu rosto. — Eu cansei de você, Emma. Você é inútil. Só te mantive por sexo.
Recuei como se o nojo fosse físico, mas ele não terminou.

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