Capítulo 89
Luca Black
O pátio estava um caos controlado, como sempre que alguém mexia no que era meu.
O caminhão deveria estar ali, alinhado com os outros, pronto para descarregar. Mas não estava.
O vazio no espaço do estacionamento era mais barulhento que gritos.
— Rastrearam? — perguntei, seco.
— Sim, chefe. O GPS desligou na saída norte. — respondeu um dos soldados, nervoso.
Dei dois passos, acendendo um cigarro com calma forçada.
— GPS não desliga sozinho. Alguém fez isso. — traguei e soltei a fumaça. — O nome do motorista.
— Roberto, senhor. — Derrick respondeu, surgindo do lado, a postura rígida, mas os olhos atentos. — Família limpa, três anos com a gente.
Franzi o cenho.
— “Família limpa” não significa nada. Todo mundo tem um preço.
Meu celular vibrou no bolso, mas ignorei. Primeiro o caminhão, depois qualquer merda da organização.
Dei ordem para dois homens:
— Vasculhem todas as rotas possíveis em vinte minutos. Quero câmeras, testemunhas, qualquer rastro. Quem não voltar com resposta, não volta mais.
Eles saíram correndo. O silêncio seguinte foi quebrado por Derrick.
— Chefe… temos outra coisa. — ele ergueu o próprio celular. — Pedido de ajuda da Emma. Localização enviada. Criei esse sistema no celular dela. Algo deu errado.
Olhei o visor rápido, reconhecendo o ponto vermelho no mapa. O apartamento que eu mesmo tinha autorizado como temporário.
Senti a irritação subir. Emma sempre atraía problema.
— Vai você. — cortei, seco, sem pensar duas vezes. — Você e mais dois. Resolve. Eu não vou parar tudo de novo por ela.
Derrick me encarou, mas assentiu. Eu sabia que ele obedeceria, mesmo que pensasse o contrário.
— Sim, senhor.
Voltei ao cigarro, mas o celular vibrou outra vez. Tirei do bolso. Uma mensagem da Riley.
> Estou indo atrás da Emma com o motorista e alguns seguranças. Algo deu errado, porque me ligou muito estranha.
O sangue me gelou por dentro.
— Merda. — rosnei.
Riley não atendia ordens, nunca tinha atendido de verdade. Mas dessa vez ela tinha ido longe demais. Eu já a alertei sobre a irmã e ela na primeira oportunidade, corre sozinha para o local.
— Derrick! — chamei, a voz mais dura. Ele parou no meio do caminho. — Muda de plano. Eu mesmo vou. Você fica no comando aqui, resolve o caminhão.
Ele arqueou a sobrancelha.
— Chefe…
— Eu disse resolve! — cortei, jogando a bituca no chão e esmagando com a sola da bota. — Se eu perder esse carregamento e a Riley ao mesmo tempo, você pode enterrar metade dessa empresa comigo.
Não esperei resposta. Corri até meu carro, destravei e liguei o motor com um rugido que ecoou no pátio. O celular já estava na orelha, chamando Riley.
Uma vez. Duas. Três. Nada.
— Atende, porra… — murmurei, acelerando o carro como se pudesse arrancar a resposta dela no grito do motor.
Atrás de mim, vi pelos retrovisores as luzes de outros veículos se acendendo. Meus homens, seguindo. Era assim que eu queria: uma coluna de ferro em movimento.
O tipo de aviso que nenhum inimigo deveria ignorar.

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