Capítulo 92
Luca Black
Mas que porra! Era só o que faltava... Emma grávida.
Merda.
Puxei Derrick pelo braço, afastando-o da porta antes que ele surtasse de vez. A enfermeira ainda estava ali, pálida. Apontei o dedo na cara dela, firme.
— Continuem conforme a paciente pediu, nada aconteceu aqui. E não digam a ela que a gente sabe. Entendeu? Você nunca disse a ninguém.
— S-sim, senhor. — gaguejou, recuando.
Voltei a me mover pelo corredor. Derrick me acompanhou em silêncio, até que a raiva me escapou pela boca.
— Merda! Isso é um problema grande— rosnei. — E se ela for ambiciosa e decidir dar outra chance ao Jackson?
Derrick franziu o cenho, a voz dura:
— Ela não faria. Bateu no cara agora mesmo. Ele atirou nela. Não faz sentido.
— Você não entende. — passei a mão pelo rosto, esfregando as têmporas. — Jackson só pensa em dinheiro. Se descobrir que vai ser pai, vai tentar reconquistar a Emma só pra me ferrar. Ele casa com ela, inclusive. Mulheres como ela são manipuláveis.
O olhar de Derrick escureceu. Não era preocupação profissional. Era pessoal.
— Isso não pode acontecer. — respondeu, a mandíbula travada. — Temos que impedir. Você tem razão, essa mulher é traiçoeira.
Assenti.
— Vamos levá-la de volta pra minha casa. Preciso garantir que não fale com Jackson. Vou pedir ao mordomo para bloquear todos os números dele pra receber e fazer chamada de lá. Assim não consegue ligar.
— Certo.
— Com o tiro, ela vai ter que repousar. Não vai trabalhar por enquanto. Você vai ficar responsável por controlar tudo que ela faz, o que acessa no celular. — o encarei, firme. — E vai ficar de olho.
Ele piscou, confuso.
— Eu?
Inclinei a cabeça, cínico.
— Sim. Mas de olho na situação, nos movimentos… e não no meio das pernas dela. Pensa que não vi? Estava só babando na vadia.
O rubor subiu no rosto dele.
— Desculpa, chefe. Eu não pude evitar. Ela é gostosa pra caralho.
— Derrick… — grunhi, a voz baixa e ameaçadora. — Cuidado com o que você deseja. Essa mulher já se virou contra a própria irmã uma vez. Não confie.
Ele respirou fundo, engolindo seco.
— Vou me manter na minha. Vou casar com a Rúbia. Emma está grávida de outro.
Assenti, mas minha mente já trabalhava. Jackson podia estar fodido, mas ainda respirava. E agora… havia mais um problema no tabuleiro.
Emma grávida era um risco. E riscos, comigo, não duram muito tempo soltos.
O problema é que o filho dela tem meu sangue. Por mais que eu tenha milhões de problemas com Jackson, essa criança é meu sobrinho, não posso eliminar a guria. Até porque ela tem mostrado que mudou de lado.
— A Riley está vindo. Nem ela vai saber disso. Entendeu?
— Mas e se a Emma contar?
— Eu vou falar com ela. Se falar é porque não posso confiar nela. — Olhei para Riley que vinha andando — Rúbia já fez o exame de DNA?
— Não. Assim que levarmos Emma pra casa, vou trazer a Rúbia.
— Certo.
Riley segurava uma pasta na mão. Seu olhar era sério.
— Ué... Está aqui e não foi na ecografia do seu filho?
— Ah, é que tivemos um imprevisto. Sua irmã levou um tiro no braço e está retirando a bala agora.
— Meu Deus! Foi o Jackson ou o Walter?
— Mas por quê? — a testa dela se franziu, quase um pedido de resposta.
— Porque eu estou dizendo. — aproximei mais, deixando claro quem mandava. — Essa criança, querendo ou não, é parte da minha família. Mesmo com meus desentendimentos com o Jackson, é meu sobrinho e não tem culpa. E família eu protejo. Se abrir a boca pra qualquer um… até pra Riley… eu vou saber. E aí, Emma, não vai sobrar nada do que você chama de segurança.
Os olhos dela se encheram d’água, mas ela engoliu seco.
— Tudo bem… só não mate meu filho.
— Não vou matar. Só não esqueça. — inclinei o rosto, deixando minha sombra pesar sobre ela. — Quando eu falo, você obedece.
Ela hesitou, mas logo murmurou:
— Sim, Luca.
Franzi o cenho.
— Me chame de chefe.
O rubor subiu nas bochechas dela.
— Sim, chefe.
Endireitei o corpo, ajeitando o paletó.
— Ótimo. Riley vai entrar daqui a pouco. Quer te ver. Não esqueça o que eu disse.
— Não vou esquecer, chefe.
Dei meia-volta e saí do quarto.
O corredor estava vazio, exceto por Derrick e pela pasta que Riley tinha me enfiado no peito antes de sumir pro banheiro. Apoiei as costas na parede, abri a pasta com calma e encarei a imagem em preto e branco.
Meu filho.
Uma mancha pequena, mas já me obrigando a sentir o peso do futuro.
Quando ouvi os passos de Riley voltando, fechei a pasta de imediato. O rosto dela estava sério, mas o olhar vinha buscar em mim respostas que eu não estava disposto a dar.

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