Capítulo 93
Luca Black
Riley entrou no quarto para ver a irmã. Eu fiquei no corredor, encostado na parede, observando quando ela saiu alguns minutos depois. O rosto dela estava sério, mais do que eu esperava. Não houve lágrimas, não houve desespero. Só aquela expressão dura, como quem guarda para si a tempestade.
— Vou levar a Emma de volta pra casa — falei, firme. — Lá vai estar mais segura.
Riley assentiu, apertando a pasta contra o peito.
— Obrigada. — disse, seca, antes de se afastar.
Agradeceu, mas eu vi nos olhos dela: estava na dela, mergulhada em pensamentos que não dividia comigo.
Fizemos o caminho de volta em silêncio. Emma seguiu conosco, apoiada no braço de um dos homens. O trajeto inteiro foi pesado, cada um preso à própria cabeça.
Quando chegamos, Riley ajudou a irmã a se acomodar no quarto de hóspedes, atenta a cada detalhe: travesseiro, coberta, copo d’água ao lado. Depois, sem olhar para mim, seguiu direto para o novo escritório. Sabia o que aquilo significava — ela ia se enterrar no trabalho.
Entrei no quarto de Emma assim que a Riley saiu.
— Você não contou nada pra ela? — perguntei, a voz grave.
Emma abriu os olhos devagar, exausta, mas consciente.
— Não. Eu só quero ter uma gravidez tranquila, Luca. Só isso.
Cruzei os braços.
— Tranquila você tem se obedecer. Não esqueça.
Ela respirou fundo, assentindo.
Saí dali e fui ao meu escritório. Derrick já me esperava, como sempre.
— Chefe, só pra avisar… mais tarde vou sair com a Rúbia. Vamos levar a pequena para fazer o exame de DNA.
Assenti devagar.
— Certo. Faça isso. Mas não perca o foco.
— Nunca. — respondeu ele.
Dei mais algumas ordens, revisei relatórios, até ser chamado para o almoço.
Na sala de jantar, Riley já estava à mesa. Diferente. Não havia sorriso, nem comentário leve. Apenas silêncio e olhos sérios. Emma não desceu.
Sentei, analisei por um instante e perguntei:
— Está tudo bem?
— Está. — ela respondeu, seca. — Só um pouco enjoada pela gravidez.
— Ok. — devolvi. — Vá até a cozinha e modifique os cardápios. Pode adaptar como deseja.
— Certo.
Ficamos em silêncio o restante do tempo.
Até que ela largou o talher de repente, os olhos faiscando.
— É sério, Luca? Além de não ir, você nem perguntou do seu filho? Não quis saber da ecografia, se está tudo bem com ele?
Apoiei os braços na mesa, inclinei-me para frente.
— Mas eu fui. Eu entrei. Ouvi quando a médica disse que estava tudo bem. Até ouvi o coração dele bater. Só porque você não me viu, não significa que não fui.
O choque passou pelo rosto dela.
— Por que não contou? — perguntou, a voz baixa, mas dura.
— Porque eu não preciso dizer tudo o que estou fazendo, docinho. — ergui a sobrancelha, firme. — Já deveria saber disso.
O silêncio ficou pesado. Ela me olhava como se tentasse atravessar a muralha que eu construí. Eu apenas segurei o copo, bebi devagar e encerrei:
— Eu cuido do meu filho, Riley. Mesmo quando você não vê.
— Deixa que eu levo até o carro. Eu fico pouco com ela. — retrucou, já aninhando a menina no colo com jeito até carinhoso.
Assenti em silêncio. Seguimos até o carro.
Entrei primeiro, ajeitando o vestido. Ele se abaixou para entregar a bebê nos meus braços. Só que, dessa vez, não se afastou logo. Parou perto do meu pescoço e senti meu corpo arrepiar.
— Nossa, que cheiro bom. — murmurou.
Segurei a bebê com mais força, sentindo a proximidade dele. O coração disparou. Ele é tão bonito e também tem um cheiro de homem diferente. Forte, masculino. Meu ex usava meu perfume porque não tinha dinheiro pra comprar.
— Não vou ganhar um beijo? Estou a alguns segundos esperando. — me assustei.
Olhei pra ele, sem acreditar.
— Um beijo? — sussurrei. Por dentro, a pergunta latejou: Será que longe da Emma ele se interessa por mim?
— Eu te roubaria — ele mesmo respondeu baixo, um sorriso de canto no rosto — mas não vou correr o risco de ser ignorado de novo. Só vou te beijar se também quiser. Odeio imaginar que uma mulher me despreze.
"Não! Eu não te desprezo Consigliere. Só estou assustada e com vergonha." — pensei.
Mas mesmo com vergonha, encostei os lábios nos dele, rápido, tímido. Pra ele saber que não o desprezo. Longe disso.
Ele recuou, arqueando a sobrancelha.
— Você não sabe beijar? É por isso que faz essas coisas? — ele parecia confuso olhando pra minha boca.
— Que coisas? — retruquei, ruborizada. — Estamos com a bebê aqui.
O olhar dele caiu na Mia, dormindo tranquila no meu colo, e parecia que tinha entendido.
— Ah… é que ela está dormindo — murmurou. — Bom. Então vamos deixar pra depois. Porque isso que acabou de fazer não é beijo. Te procuro depois pra te mostrar ao que me referia.
Um frio percorreu minha barriga. Segurei a menina com força, tentando disfarçar o tremor das mãos, até que ele saísse de tão perto.
O resto do caminho seguiu em silêncio. Mas, hora ou outra, eu pegava o reflexo dele no vidro, observando. Não a Emma. Não outra mulher. Mas eu. Eu e a bebê nos meus braços.
E aquilo, mesmo pequeno, foi suficiente para me dar um fio de esperança.

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