Capítulo 95
Luca Black
A noite caiu como um manto pesado sobre a casa. Eu terminei de revisar alguns relatórios e decidi passar no quarto da Emma antes de encerrar o dia. Confiança não era palavra que eu associava a essa mulher. Muito pelo contrário. Se ela tivesse a mínima noção do poder que carrega por estar grávida do Jackson, usaria isso como moeda na primeira oportunidade. E isso, automaticamente, tiraria a gente da jogada. Emma se tornava mais perigosa a cada dia.
Abri a porta devagar, sem bater. O quarto estava em penumbra, só o abajur ligado. Para minha surpresa, Derrick estava lá dentro. Sorridente. Sentado ao lado da cama, ajudando Emma a tomar um comprimido com um copo d’água.
Meu maxilar travou.
— Derrick. — chamei, a voz grave. — A Emma consegue tomar remédio sozinha, com a outra mão. Saia. Tenho um assunto pra você.
Ele se levantou, meio sem jeito, ainda com aquele ar de bom samaritano.
— Certo, chefe… — murmurou.
Não precisei olhar duas vezes para perceber que Emma estava bem. Firmei o olhar nela e avisei:
— Tome cuidado com o que anda dizendo por aí. — e saí do quarto.
Derrick me esperava no corredor. Antes que ele tentasse abrir a boca, agarrei-o pelo colarinho e o empurrei contra a parede.
— Será que não é capaz de fazer só o que eu mando? — minha voz saiu baixa, cheia de raiva contida. — Eu disse que não era pra tratar essa guria bem. Você está noivo, caralho! Foi você quem pediu isso. Ou quer cancelar tudo?
Ele ergueu as mãos, defensivo.
— Não. Agora que estou melhor com a Rúbia… não. Eu quero ela e a Mia.
Apertei mais o colarinho.
— Então se esperta. Tá com tesão? Vai atrás da sua noiva. Não fica rindo pra essa mulher, ouviu? Ela é venenosa. Na primeira oportunidade vai nos trair. E se eu perceber que você está com ela, no mesmo instante perde o cargo de Consigliere, porque se não confio nela, não poderei confiar mais em você.
— Eu só estava ajudando… foi você que pediu — tentou se justificar.
Soltei uma risada seca.
— Eu vi como você ajuda. Está proibido de rir pra ela— aproximei o rosto do dele. — Vou ter que acelerar esse casamento com a Rúbia pra te poupar de fazer merda. Porque eu juro, Derrick… se você trair a Rúbia, eu cancelo toda essa merda. Dou a guarda da menina pra ela e dobro seu salário pra criar a filha sozinha. Vai querer criar o filho do Jackson, por acaso?
— Nunca. — o olhar dele endureceu. — Eu odeio aquele canalha e você sabe o motivo.
— É, eu sei. Ele comeu a tua ex. — retruquei, firme. — Sei que pegar a ex dele pode parecer tentador, mas não vale a pena. Pretende assumir o bastardo porque quer filhos?
— Claro que não. — a resposta dele veio rápida, dura. — Eu quero a Mia. Não importa quem seja o genitor, porque eu serei o pai dela. Não o Jackson.
Assenti devagar.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Roubada no altar pelo chefe da Máfia