Capítulo 97
Riley Black
Desci as escadas com uma leveza que não lembrava ter sentido nos últimos meses. Meu corpo parecia mais leve, minha cabeça também. A sensação estranha de que, de repente, as coisas estavam no lugar. Talvez fosse a forma como Luca tinha me olhado lá em cima, ou as palavras dele… “Você é minha família agora.”
Bom, a massagem também ajudou. Dormi tão bem.
No hall, encontrei Luca ajeitando o paletó escuro. Derrick já o esperava perto da porta, com aquela postura séria que nunca relaxava.
— Vou sair com o Derrick — Luca avisou, a voz firme, mas o olhar preso em mim. — Tem seguranças por toda a casa e o mordomo está à disposição caso precise de alguma coisa.
Sorri, meio tímida.
— Eu não posso só te ligar? Agora tenho um celular.
Ele arqueou uma sobrancelha, como se ainda se acostumasse com a ideia.
— Ah, claro. É que não estou acostumado com isso. Esqueci que te deixei um — Aproximou-se e colou a boca na minha, quente, rápida, mas suficiente para acelerar meu coração.
Foi quando uma voz cortou o ar:
— Ah… — Emma surgiu na entrada da sala, os olhos fugindo do beijo.
Luca se afastou lentamente, encarou a minha irmã por um instante, sem dizer nada, e saiu com Derrick.
Respirei fundo, tentando disfarçar o desconforto.
— Está melhor? — perguntei a Emma, apontando para o braço enfaixado. — O tiro… ainda dói?
— Está bem. — Ela respondeu seca. — O chefe saiu?
Assenti, olhando pela janela o carro desaparecer no portão.
Nesse momento, Rúbia entrou com Mia no colo e sentou-se no sofá. Emma arqueou a sobrancelha, surpresa.
— Ué… porque a empregada está no sofá da patroa?
Estreitei os olhos, irritada.
— É um sofá, Emma. Sofá foi feito para sentar. Se tem vontade, senta também. E, só para constar, a Rúbia agora é a babá da Mia. Inclusive… deixa eu segurar ela um pouquinho?
Rúbia sorriu e me entregou a pequena com cuidado. Tenho evitado tanto contato para não me apegar. Principalmente agora que sei que Rúbia ficará com ela.
— Obrigada, senhora. Não é à toa que o chefe escolheu a senhora para se casar e a roubou de um altar. É uma perfeita dama da máfia.
Emma disfarçou, mas vi a fúria que passou em seus olhos.
— Riley, eu preciso falar com você a sós. — Emma avisou.
— Bom, então vamos até o jardim. Assim a Mia toma um sol.
— Você não entende. Eu pensei até em procurar a mamãe. Walter está preso, agora é seguro. Posso ficar na casa dela e não incomodo mais vocês. Luca nem precisa saber que você sabe. Seria mais seguro.
— Emma, não. — minha voz saiu firme. — Se Luca mandou você ficar, ele tem um motivo. Assim que ele voltar, vou perguntar diretamente a ele. Talvez esteja te protegendo. Afinal, você é parte da minha família.
— Riley, abre os olhos. Em que mundo de Alice você vive? Por favor... me protege. Se não vai me ajudar, ao menos não conte a ele que falei. Ele me fez jurar silêncio. Viu como é um plano?
Olhei para ela em silêncio, a mente fervendo. No fim, assenti.
— Está bem. Mas você fica aqui, porque tem de tudo. E me diga: está tudo bem com a gravidez? Eu serei tia?
— Sim. Já estou mais barriguda que você. No terceiro mês. Só que se meu filho nascer antes do seu… pode ser problema para o Luca. Por isso eu digo: ele vai me matar. Eu nunca o trairia, mas ele sim.
Fingi concordar com a cabeça, mas por dentro a dúvida crescia. Luca não pediria segredo à toa. Algo não fechava.
— Bom, descansa, está bem? Você precisa de repouso. Eu vou ficar de olho. Vou te proteger como sempre protegi. Só não faz nenhuma besteira e cuida bem do meu sobrinho.
— Claro.
Emma voltou para dentro, e eu fiquei ali no jardim. O sol batia na pele delicada da Mia, que sorria sem entender nada do caos à nossa volta.
Passei os dedos no rostinho dela, tentando achar calma. Mas a verdade é que, a partir de agora, eu teria que prestar atenção em cada detalhe. Emma tinha medo. Luca escondia algo. E eu estava no meio disso tudo.
Levantei e voltei para dentro. Entreguei Mia à Rúbia e fui até o escritório. Precisava trabalhar… ou talvez me distrair. Mas, no fundo, eu sabia: minha mente não descansaria até descobrir o que realmente estava acontecendo.

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