Capítulo 99
Derrick
Tirei a mão dela com firmeza, num tom mais alto para que entendesse:
— Chega. Se eu quisesse você, teria ido atrás. Eu escolhi a Rúbia e vou me casar com ela.
Os olhos dela faiscaram; não era dor. Era orgulho ferido.
— Tem certeza? É sua última chance, Derrick. — Ficou me encarando de um jeito sujo. Dessa vez fui eu quem ficou com nojo.
— Vai se ferrar, sua vagabunda! O que está insinuando? Acha que outros caras aqui dentro vão te querer pra assumir filho? Mulheres oferecidas só levam ferro e depois são descartadas. Pra casar tem que ter muito mais que um corpo sensual. Precisa ter caráter.
— Como a Rúbia?
— Exatamente. Como a Rúbia. Minha noiva. — Apontei o dedo pra ela — Não ouse tentar se aproximar de novo. Da próxima vez não teremos uma conversa descente. Eu te expulso daqui em minutos e com a autorização do Don. — Vi a raiva brilhar nos olhos dela.
Segui o corredor, chamando:
— Rúbia! — Agora teria que consertar a merda que fiz.
Encontrei-a no fim do corredor, perto da copa. Ela estava de costas, respirando fundo. Parei a um passo.
— Deixa eu explicar.
— Explicar o quê? — Ela se virou, o olhar úmido mas teimoso. — Cada oportunidade que você tem, está com ela. Aquela mulher oferecida. O que te ofereceu agora? O rabo? Pois suma daqui, Derrick.
— Calma. Você é brava, mulher. Me deixa falar. — segurei os braços dela.
— Brava!? Estou a dias te vendo correr atrás dela como cachorro e não disse nada, mas tudo tem um limite. Fique com ela porque não divido nada com ninguém. Só espero que goste desse esquema, porque ela é do tipo que nunca será só sua.
— Ei. Eu estou designado a ficar de olho nela pelo chefe. — O velho tom profissional querendo salvar o que o coração complicava. — É ordem do Don. Eu preciso saber o que faz, monitorar tudo.
— Ela também pelo jeito. Agora entendi. Estava verificando seu rosto. Provou sua boca também? — empurrei mais seus braços contra a parede.
— Uau. Você fica mais sexy a cada vez que grita e tem ciúmes de mim. Sabe... Nenhuma mulher já demonstrou isso.
— Olha, Derrick… — Ela respirou curto. — Eu posso aguentar muita coisa. Namorado que eu preciso bancar de vez em quando, namorado ciumento, namorado chato e exigente… até sexo eu faço se me pedir com jeito e eu não estiver a fim — ergueu o queixo, a voz quebrando só no final — mas homem traidor, não. Eu não quero mais casar se for assim.
— Rúbia...
— E para de dizer que sou sexy. Porque também odeio mentirosos. Se viu na corda bamba porque quer adotar minha sobrinha e agora vem com isso. Eu não sou idiota, ok?
Algo se acendeu na carne. Dei um passo à frente, empurrando o corpo dela colado ao meu para o outro lado.
— Para, Rúbia. — A palavra saiu áspera. — Você já aceitou. Vai casar comigo e pronto. Não inventa coisa na sua cabeça. Eu não encostei naquela mulher. Não do jeito que está insinuando. Então obedeça e pare de falar que não casa, porque vai casar. Eu já decidi. Agora é que faço questão.
— Você não ousaria…
— Ah, não? — Eu senti o sangue subindo. Respirei, baixei o tom. — Eu até me arrumei por você. Não gostou do meu cabelo mais curto? Da barba que quase arranquei toda. — Soltei ela e passei a mão no cabelo curto.

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