O toque do telefone era estridente no silêncio do seu carro. Clara olhou para o identificador de chamadas. "Mãe". Ela respirou fundo antes de atender.
—Clara? Onde você está? Estamos esperando vocês.
—Vocês quem?
—Você e seu marido, ora essa! — a voz de sua mãe era impaciente. — É o aniversário do seu pai. Traga Arthur para jantar.
—Mãe, ele está ocupado. Eu vou sozinha.
—Não aceito não como resposta. Dê um jeito.
A ligação terminou. "Dê um jeito". A história de sua vida.
Uma hora depois, ela entrou na casa modesta de seus pais no subúrbio. O cheiro de assado no ar não conseguia disfarçar a tensão.
Seu pai, Geraldo Mendes, estava sentado em sua poltrona, o rosto fechado. Sua mãe, Lúcia, torcia um pano de prato nas mãos.
—Onde está o Arthur? — perguntou Geraldo, sem rodeios.
—Ele teve um compromisso de trabalho, pai. Ele mandou um abraço.
—Um abraço não paga as contas! — ele retrucou, a voz aumentando. — Que tipo de esposa é você, que não consegue nem trazer o marido para o aniversário do sogro?
—Eu e ele vamos nos divorciar.
A declaração caiu na sala como uma bomba. O rosto de sua mãe se contorceu em horror. Seu pai ficou vermelho de raiva.
Ele se levantou da poltrona, o corpo tremendo.
—Você o quê? Você está jogando nosso futuro fora! Ingrata!
Ele deu dois passos rápidos e ergueu a mão. Clara não teve tempo de reagir.
A palma da mão de seu pai atingiu seu rosto com força.

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