RUBI MONTENEGRO
O choque durou apenas alguns segundos. A sensação dos lábios dele, exigentes e arrogantes, tentou despertar uma memória antiga da Rubi que sonhava com esse momento. A garota inocente que sonhava com um primeiro beijo perfeito. Mas aquela Rubi estava morta e esse beijo estava longe demais da perfeição.
De todos os sentimentos que pensei que teria nesse momento, jamais imaginei que seria algo desagradável. No entanto, o sentimento que prevalecia era: repulsa.
Com toda a força que eu tinha, coloquei as mãos no peito de Ares e o empurrei violentamente.
Ele cambaleou para trás, surpreso com a minha reação física.
— O que pensa que está fazendo?! — gritei, limpando a boca com as costas da mão, como se pudesse tirar aquela sensação horrível da minha pele.
Ares passou a língua no lábio inferior, um sorriso presunçoso surgiu em seu rosto. Ele não parecia arrependido. Pelo contrário, parecia muito satisfeito.
— Estou beijando a minha mulher. Tenho direitos conjugais, não tenho?
— Você não tem direito nenhum! — Apontei o dedo na cara dele, tremendo de raiva. — A cláusula 2 do nosso contrato pessoal: "Sem contato físico". Você escreveu isso! Você disse diversas vezes que eu te dava nojo!
— As circunstâncias mudaram — ele deu de ombros, tentando se aproximar de novo. — Você mudou. E eu admito, o que vejo agora me agrada. Podemos renegociar essa cláusula. Eu posso te dar o que você quer, Rubi. Sei que você está apaixonada por mim.
A arrogância dele era tão grande que quase me engasguei. Ele achava mesmo que um beijo forçado me faria cair de amores e esquecer toda a humilhação?
— Você é patético — cuspi as palavras. — Você acha que sou uma garota carente que implora por uma migalha de atenção? Escute bem, Ares: o único sentimento que tenho por você agora é pena. E nojo. Muito nojo.
O sorriso dele vacilou.
— Cuidado, Rubi...
— Saia do meu quarto! — Caminhei até a porta e a abri com força. — Saia agora, ou eu juro que começo a gritar e faço a Mary chamar a polícia. E imagine a manchete: "Ares Beckett preso por assediar a própria esposa".
Ele trincou o maxilar, os olhos fuzilavam ódio. Ele ajeitou a camisa, recuperando a postura.


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Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Senhor CEO, sua esposa gorda virou uma DEUSA!