RUBI MONTENEGRO
Minha visão estava embaçada pelas lágrimas enquanto eu dirigia sem rumo. A casa dos meus pais tinha ficado para trás, mas a sensação da mão do meu pai no meu rosto ainda queimava como uma lembrança de mais uma vez me decepcionar com aquelas pessoas.
Eu não tinha para onde ir. Mas meus instintos me guiaram para o único lugar onde eu me sentia valorizada: a Bane Fashion.
Entrei no prédio de óculos escuros, ignorando os cumprimentos animados da recepcionista. Corri para o banheiro executivo e tranquei a porta.
Tirei os óculos e olhei no espelho. Havia uma marca vermelha, nítida e dolorosa, na minha bochecha esquerda. O tapa tinha sido forte.
— Não chore, Rubi. Não ouse chorar — sussurrei para mim mesma, abrindo a torneira e jogando água fria no rosto.
Peguei minha base e corretivo na bolsa. Comecei a cobrir a marca da violência. Camada por camada, escondi a vergonha, mas a dor interior não desaparecia com maquiagem.
Respirei fundo, ajeitei o cabelo e saí do banheiro.
Caminhei em direção à sala de Domênico, precisando me distrair com trabalho. Mas, antes que eu pudesse bater, a porta se abriu.
Domênico estava saindo. Ele parou bruscamente ao me ver. O sorriso que ele começou a abrir por me ver morreu no mesmo instante.
— Rubi? — Ele franziu a testa e seus olhos escanearam meu rosto. — Você não deveria estar de folga? O que aconteceu?
— Nada. Eu só queria ver as prévias da próxima coleção — menti, desviando o olhar.
Domênico não comprou a mentira. Ele segurou meu braço com gentileza e me puxou para dentro do escritório, fechando a porta atrás de nós.
— Sente-se — ele ordenou, apontando para a cadeira de visitas.
Eu me sentei, sentindo minhas defesas desmoronarem. Domênico não foi para a cadeira dele. Em vez disso, ele se sentou na beirada da mesa, bem na minha frente.
Ele estendeu a mão e, com o polegar, tocou cuidadosamente a minha bochecha, exatamente onde a maquiagem escondia o tapa.
Eu estremeci e fechei os olhos.
— Quem fez isso? — a voz dele ficou baixa, e perigosamente calma. — Foi o Ares?
Abri os olhos. A preocupação genuína no olhar dele fez meu coração apertar. Ninguém nunca tinha olhado para mim assim. Como se a minha dor doesse nele.


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Os comentários dos leitores sobre o romance: Senhor CEO, sua esposa gorda virou uma DEUSA!