RUBI MONTENEGRO
Nos dias que se seguiram à visita de Domênico e àquele abraço desesperado no closet, notei que o meu marido havia sido abduzido e substituído por um alienígena. Ou isso, ou Ares Beckett havia sofrido um curto-circuito irreparável no cérebro.
Ele estava agindo de forma bizarra. Bizarra e muito adorável.
Ares simplesmente não desgrudava de mim e parecia ter desenvolvido um radar interno que apitava toda vez que eu suspirava. Se eu olhava para um copo de água, ele já o estava enchendo. Se eu me mexia na cama, ele arrumava os meus travesseiros. Ele estava sendo tão protetor que eu comecei a me sentir como um filhote de panda em extinção sob os cuidados de um tratador neurótico.
E, é claro, como qualquer esposa esperta e com muita vontade de rir, eu decidi me aproveitar um pouquinho da situação. Afinal, quantas vezes na vida eu teria o todo-poderoso CEO da Beckett Industries me servindo como um mordomo particular?
A primeira vez que testei os limites dele foi numa terça-feira, às duas e meia da manhã.
Eu estava sem sono, rolando na cama, enquanto Ares tentava dormir abraçado à minha cintura como um polvo gigante.
— Ares? — chamei num sussurro, cutucando o ombro musculoso dele.
Ele abriu os olhos na mesma hora.
— O que foi? Está com dor? A sua cabeça está latejando? Quer que eu chame o médico?
— Não, não, eu estou ótima — respondi, tentando prender o riso ao ver o cabelo dele amassado de um lado só. — É só que... eu estou com fome, quero comer panquecas.
Ele piscou, confuso.
— Panquecas? Agora?
— Sim. Mas não qualquer panqueca. Eu quero panquecas com gotas de chocolate, morangos cortados em formato de coração e bastante chantilly.
Ares olhou para o relógio digital na mesa de cabeceira que marcava 02:37.
— Rubi, a Mary está dormindo. Todos os funcionários estão dormindo.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Senhor CEO, sua esposa gorda virou uma DEUSA!