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Senhor Ex-Marido, quer que eu te salve? Se ajoelhe! romance Capítulo 115

POV Lianna

A casa estava silenciosa demais para um dia que tinha sido tão barulhento por dentro.

As crianças jantavam normalmente. Selina contava alguma coisa sobre uma história que tinha inventado na escola, Selin corrigia detalhes científicos inexistentes, Adrian observava os dois com aquele cuidado atento que já tinha virado hábito. Mas eu… eu estava longe.

Meu corpo estava ali. Minha mente, não.

Quando Selina pediu sobremesa e Adrian foi até a cozinha buscar, ele me lançou um olhar rápido. Um daqueles olhares que não perguntam, mas sabem.

Depois que as crianças terminaram, ele se aproximou de mim na pia, baixinho.

— Você está pensando em contar, não está?

Eu assenti.

— Acho que não dá mais pra adiar. — engoli em seco. — Não depois do que aconteceu hoje.

Ele respirou fundo.

— Quer que eu fique?

— Quero. — respondi sem hesitar. — Mas… talvez seja melhor que eu fale sozinha. Eles precisam ouvir de mim.

Ele assentiu, respeitoso.

— Eu fico por perto. Qualquer coisa, é só chamar.

Toquei a mão dele. Um agradecimento silencioso.

Depois do jantar, chamei os gêmeos para a sala. O mesmo sofá onde a gente assistia filmes, fazia pipoca, ria alto. Um lugar seguro. Eu precisava que fosse ali.

— Vem cá, meus amores — disse, tentando manter a voz firme.

Selina veio pulando. Selin veio atento demais.

Sentei no meio dos dois. Um de cada lado. Minhas mãos envolveram as deles.

Respirei fundo.

Mais uma vez.

— A mamãe precisa conversar com vocês sobre uma coisa importante.

Selina franziu o nariz.

— Importante tipo quando a gente vai viajar?

— Importante tipo quando você fica séria assim — Selin completou.

Doía o quanto ele me conhecia.

— Importante tipo verdade — respondi. — Uma verdade grande.

Eles ficaram quietos.

— Vocês lembram daquele homem que a gente encontrou na escola? — perguntei.

Selina assentiu devagar.

— O moço sério.

Selin apertou minha mão.

— O que sentou no banco.

Meu peito apertou.

— Isso. — confirmei. — O nome dele é Zayden.

O nome saiu pesado da minha boca.

— Ele… — respirei fundo — …ele é o pai de vocês.

O silêncio caiu como um cobertor grosso.

Selina piscou.

— Pai… tipo pai pai?

— Tipo… — Selin engoliu seco — …tipo o pai que a gente não tinha?

A pergunta me cortou.

— Vocês sempre tiveram pai — respondi com cuidado. — Mas ele não estava presente. E eu vou explicar tudo, prometo.

Selina inclinou a cabeça.

— Ele é ruim?

Eu fechei os olhos por um segundo.

— Ele foi ruim comigo — respondi com honestidade. — Muito ruim.

Selin franziu a testa.

— Mas com a gente…?

— Eu não sei ainda — admiti. — E é por isso que eu sempre tentei proteger vocês.

Selina mordeu o lábio.

— Então… ele é por isso que você chorou hoje?

As lágrimas finalmente caíram.

— Vocês podem sentir curiosidade — continuei. — Podem sentir raiva. Confusão. Tudo isso é normal. O que eu preciso que vocês saibam é que… nada muda o amor que eu tenho por vocês. Nada muda quem somos.

Selina levantou o rosto.

— Ele pode vir aqui?

Meu estômago revirou.

— Não agora — respondi. — E se um dia isso acontecer, vai ser com regras. Com segurança. Com adultos cuidando de vocês.

Selin ficou pensativo.

— Ele pareceu… estranho.

— Estranho como? — perguntei.

— Como alguém que quer algo que não entende — ele respondeu.

Meu filho de sete anos descreveu Zayden melhor do que qualquer terapeuta.

— Você não precisam gostar dele — acrescentei. — Não precisam escolher nada agora. Só precisam ser crianças.

Selina bocejou.

— Eu gosto do tio Adrian.

Sorri entre lágrimas.

— Eu sei.

— Ele pode ser nosso pai? — ela perguntou, inocente.

Meu coração tropeçou.

— Não é assim que funciona, meu amor. Mas ele é alguém que cuida da gente.

Selin olhou pra mim com seriedade.

— Mamãe… se ele tentar levar a gente, você vai lutar, né?

Segurei o rosto dele com as duas mãos.

— Com tudo o que eu sou.

Eles me abraçaram ao mesmo tempo. Forte. Como se soubessem que o mundo estava tentando nos separar.

Ali, no meio da sala, eu entendi: contar a verdade não nos enfraqueceu. Nos armou. E pela primeira vez desde que Zayden voltou, eu senti algo diferente do medo.

Eu senti aliança.

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