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Senhor Ex-Marido, quer que eu te salve? Se ajoelhe! romance Capítulo 125

POV LIANNA

O escritório do advogado cheirava a café velho e papel.

Era um cheiro neutro, técnico, quase cruel, porque ali não havia espaço para medo, só para fatos. E fatos não se compadecem de ninguém.

O meu advogado folheava os documentos com uma calma irritante, como se minha vida não estivesse inteira ali, empilhada em folhas.

— Doutora Lianna… — ele começou, sem levantar os olhos. — Vou ser direto.

Meu estômago se contraiu.

— Prefiro assim.

Ele assentiu, finalmente me encarando.

— A medida cautelar solicitada pelo senhor Adrian foi… precipitada.

Fechei os olhos por um segundo.

— Eu imaginei.

— Não é que esteja errada em essência. — ele continuou. — Há indícios de perseguição, sim. Fotografias, mensagens veladas, presença constante. Mas o problema não é o que foi feito. É quem fez.

— Ele não deveria ter feito isso. — murmurei.

— Exatamente. — Henri disse. — Para o tribunal, isso abre margem para uma narrativa perigosa: a de que você está sendo influenciada por um terceiro com interesses pessoais.

— Interesses pessoais? — minha voz saiu amarga. — Ele só quer proteger.

— O tribunal não julga intenções. — ele respondeu. — Julga aparências, precedentes e controle.

A palavra bateu em mim como um soco.

Controle.

— Zayden é influente. — ele continuou. — Financeiramente, politicamente, institucionalmente. E agora ele pode alegar que você está criando um ambiente instável para as crianças, cercando-se de decisões impulsivas.

— Impulsivas? — repeti, incrédula. — Eu fugi de um homem violento!

— Eu sei. — Henri disse, com firmeza. — E isso vai ser levado em conta. Mas precisamos ser estratégicos. Qualquer movimento agora pode ser usado contra você.

Minhas mãos tremiam no colo.

— Ele pode tirar meus filhos de mim?

Henri respirou fundo antes de responder. O tipo de pausa que já é uma resposta em si.

— Em um cenário extremo? — ele disse. — Não imediatamente. Mas ele pode pedir guarda compartilhada emergencial, visitas monitoradas que deixam de ser monitoradas, convivência progressiva…

— Não. — sussurrei. — Eles não podem ficar sozinhos com ele.

— Eu concordo. — ele disse. — Por isso precisamos evitar qualquer atitude que pareça confronto direto neste momento.

— E o Adrian?

O nome saiu antes que eu pudesse segurar. Ele me olhou com atenção renovada.

— Ele precisa… recuar.

Meu peito apertou.

— Se afastar?

— Visivelmente. — ele confirmou. — Não desaparecer da sua vida, mas sair da linha de frente. Pelo menos por enquanto.

Engoli seco.

— E o divórcio?

— Enquanto ele não assinar, juridicamente vocês ainda são casados. — Henri disse. — E isso pesa. Muito.

Eu passei a mão pelo rosto, sentindo o cansaço me esmagar.

— Então o que o senhor está dizendo é que… — minha voz falhou — …ele tem vantagem.

— No momento? — Henri respondeu. — Sim.

Silêncio.

— O que eu faço?

Ele fechou a pasta, apoiou as mãos na mesa.

— Aguenta. — disse, sem rodeios. — Ganha tempo. Não reage. Não provoca. Não dá munição. E documenta tudo.

— E se ele vier com uma proposta?

Henri franziu o cenho.

— Que tipo de proposta?

Meu celular vibrou em cima da mesa. Número conhecido. Meu sangue gelou.

Zayden.

— Doutor… — murmurei. — Ele está me ligando agora.

Henri me encarou.

— Atenda. — disse. — E coloque no viva-voz.

Meu coração batia tão alto que eu mal ouvi o clique da chamada.

— Lianna. — a voz dele veio suave demais. — Espero que tenha tido uma boa conversa com seu advogado.

Meu corpo inteiro gelou.

— O que você quer, Zayden?

— Sempre direta. — ele riu baixo. — Eu admiro isso em você. Mesmo agora.

Capítulo 125 — Qualquer decisão vai doer... 1

Capítulo 125 — Qualquer decisão vai doer... 2

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