POV LIANNA
O corredor ainda vibrava com o eco dos passos de Zayden quando o silêncio voltou a se assentar. Um silêncio estranho, pesado demais para ser paz.
Meu corpo começou a cobrar tudo de uma vez.
O cansaço veio como uma maré alta. As mãos ainda latejavam. As pernas tremiam sob o peso de sete horas em pé, sete horas lutando contra algo invisível e implacável.
Adrian percebeu antes de mim.
— Ei… — ele disse baixo, segurando meu braço com cuidado. — Respira.
Obedeci. Uma vez. Duas.
— Eu estou bem. — menti.
Ele não discutiu. Apenas ficou ali, firme, como se fosse impossível eu cair enquanto ele estivesse por perto.
Foi então que ouvi passos apressados.
Reconheci antes mesmo de olhar.
O diretor.
O mesmo homem que, dias atrás, assinara minha suspensão com uma caneta pesada demais para quem carrega um cargo daqueles.
Ele vinha sério, mas não duro. Havia algo diferente no olhar. Algo que eu não via há semanas.
— Doutora Lianna. — ele me chamou.
Endireitei o corpo automaticamente. Médico faz isso. Mesmo exausto, mesmo ferido.
— Senhor diretor.
Ele parou diante de mim, lançou um rápido olhar para Adrian, depois voltou a atenção para mim.
— Preciso falar com você. Agora.
Meu estômago se contraiu.
— Se for sobre eu ter entrado em centro cirúrgico estando suspensa, foi o senhor que mandou.
— É exatamente sobre isso. — ele interrompeu.
Respirei fundo.
— Então deixe claro: eu assumo total responsabilidade. Se quiserem formalizar uma advertência, um processo interno, o que for—
— A suspensão será retirada.
As palavras demoraram alguns segundos para fazer sentido.
— …Como é?
Ele manteve o tom firme, quase solene.
— A cirurgia foi um sucesso absoluto. — disse. — O paciente está estável. Prognóstico excelente. E isso só aconteceu porque você estava lá.
Meu coração deu um salto que não combinava com o cansaço do meu corpo.
— O conselho… — comecei. — A diretoria inteira precisa concordar com isso.
O diretor hesitou.
Foi um detalhe pequeno. Um meio segundo de silêncio. Mas eu vi.
— Nem todos estão de acordo. — ele admitiu, enfim. — Há resistência. Questionamentos. Pressões externas.
Meu peito apertou.
— Então—
— Mas não importa. — ele cortou. — Não quando estamos falando de salvar vidas.
Ele deu um passo à frente.
— Não posso, em sã consciência, permitir que este hospital perca uma profissional do seu nível por disputas internas e egos inflamados.
Senti os olhos arderem.
— O hospital precisa de você, Lianna. — ele continuou. — E eu também. A suspensão será retirada ainda hoje. Oficialmente.
Um peso enorme saiu do meu peito.
Não era alegria pura.
Era alívio misturado com exaustão e um gosto amargo de guerra não encerrada.
— Obrigada. — consegui dizer, a voz baixa. — Eu nunca quis prejudicar o hospital.
— Eu sei. — ele respondeu. — E é exatamente por isso que você fica.
Ele se virou para ir embora, mas parou por um instante.
— Só… — disse, sem me olhar — …prepare-se. Isso não vai agradar a todos.
Assenti.
Quando ele se afastou pelo corredor, senti Adrian apertar levemente meu braço.
— Você venceu. — ele disse.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Senhor Ex-Marido, quer que eu te salve? Se ajoelhe!