Oceana abriu a boca para soltar um grito desesperado, mas ao ver a criança no colo de Sabrina, segurou o som na garganta.
A tensão e o pânico se misturavam dentro dela, fazendo com que ela quase explodisse; seu rosto ficou vermelho.
Sabrina apertou a criança instintivamente e olhou para Henrique, um tanto perdida.
Henrique pensou por um momento, entrou no elevador, apertou o alarme de emergência e saiu.
— Para que chamar o segurança? Ele pode lutar contra fantasmas?
Oceana fechou os punhos e bateu duas vezes na parede. — Com certeza a mãe de Fernando terminou de brincar com o amigo e já voltou.
Sabrina: — ...
Era bem absurdo, mas a forma como ela falava fazia parecer verdade.
De repente, um vento soprou pela janela aberta no fim do corredor.
Oceana sentiu um calafrio e percebeu que Henrique havia fechado a porta de casa.
Ela correu imediatamente, digitou a senha e abriu a porta.
Assim que a porta com senha abriu, soou aquela voz mecânica de novo: Erro, erro!
Após alguns avisos seguidos, ficou em silêncio.
Oceana, feito um passarinho assustado, pulou e deu dois passos para trás, resmungando: — Pode entrar!
As coisas estranhas não paravam de acontecer. Depois que Henrique apertou o botão de emergência, o elevador desceu até o primeiro andar sozinho e depois subiu.
Oceana se agachou encostada na parede, rastejou até Sabrina, abraçou as pernas dela e não se mexeu mais.
Sabrina também sentiu o corpo gelar. Apertou Noriel com força, temendo que ele fosse levado pelo 'fantasma'.
Henrique ficou ao lado do elevador, observando-o subir devagar. Ao vê-lo parar no andar, ele franziu a testa.
A porta do elevador abriu e um homem de macacão azul saiu. Quando os olhares se cruzaram, todos tomaram um susto.
— O que vocês estão fazendo acordados no meio da noite?
O funcionário do elevador segurava uma ferramenta e olhou para eles desconfiado.
— E como estão as coisas com Fernando? — Ela perguntou a Oceana.
— O velho está o marcando cerrado, ele não tem como vir pegar.
Oceana tinha prometido ontem no telefone que guardaria a coisa, mas agora resmungava. — Por quanto tempo eu vou ter que ficar com isso? Será que ele não pode só fugir de lá e a gente foge com a urna?
Essa não era uma ideia de todo ruim, mas seria preciso achar a hora certa para sair.
— Amanhã eu vou vê-lo. — Henrique fechou a porta. — Ele não tem um apartamento lá embaixo? Por que você não fica lá?
— Você é maldoso!
Oceana o xingou. — Você é que não quer que eu vá para a sua casa!
Henrique ergueu a sobrancelha. — Se você quer pensar assim, não há o que eu possa fazer.
Aquilo soava como as palavras de um homem horrível.
Mas ele não estava falando com Sabrina, e sim com a melhor amiga de sua esposa, então parecia fazer sentido.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Senhor Ramos, ele não é seu filho!