Oceana olhou para Sabrina pedindo socorro.
Sabrina teve que intervir. — Está tarde, estou com sono. Leve ela lá para casa.
— Tudo bem, leve as coisas que estão lá dentro também.
Henrique sinalizou para Oceana entrar e pegar a urna.
Oceana não conseguia entender de onde tinha tirado tanta coragem na noite anterior. Ela carregava a urna nos braços pela escuridão e não a soltou nem um instante.
Mas agora ela não tinha coragem, não ousava nem chegar perto.
— Vamos esperar lá embaixo.
Sabrina segurava Noriel com uma das mãos, puxou Oceana do chão com a outra e foi para fora.
Oceana fugiu com ela num piscar de olhos, e as duas entraram no elevador.
— A casa não é minha. — A voz de Henrique atravessou a porta do elevador, que estava fechando. — Eu não tenho a chave e não sei a senha.
Sabrina apertou para parar o elevador rapidamente. Ela fungou, não tendo escolha a não ser mandar Oceana abrir a porta.
Oceana saiu do elevador correndo, usou a digital para abrir a porta, virou as costas e fugiu de volta para o elevador.
Henrique entrou na casa, viu a urna bem no centro da sala, fez uma reverência, pegou um pano para cobrir o objeto e o levou.
Depois de tanta confusão, eles voltaram para casa e o dia já estava quase amanhecendo.
Henrique guardou a urna da mãe de Fernando no sótão da ala leste da mansão e, por insistência de Oceana, trancou a porta.
Mas não era o bastante. Oceana ocupou Sabrina e mandou Henrique e Noriel dormirem no escritório.
Ao deitar, ela abraçou Sabrina bem forte; com o medo, a respiração ainda estava rápida.
— Se existisse fantasma de verdade, trancar a porta não adiantaria, e eu ficar com você também não.
Sabrina estava quase sem ar com aquele abraço apertado.
A força dos braços de Oceana diminuiu. — Você acha que eu atrapalhei vocês dois?
— Só queria te convencer a não ficar com tanto medo.
Sabrina explicou, sem energia.

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