Sabrina pegou um lenço na mesa de centro e entregou a ela. — Pronto, não chora. Se você está infeliz, então seja inimiga mortal dele. Me conta, o quão ruim o Fernando é, tá bom? Eu xingo com você.
Aquelas palavras do senhor Arnaldo, que a família Moraes tinha coragem de dizer, Oceana não tinha coragem de repetir.
Ela chorou um pouco, se acalmou e balançou a cabeça enquanto secava as lágrimas.
— Deixa pra lá. Não há o que falar sobre pessoas e coisas irritantes.
Sabrina abriu a boca e ia dizer algo quando foi interrompida.
— Já estou bem, é só um homem, né?
Então, durante a manhã, Sabrina a ouviu dizer esse tipo de coisa cento e oitenta vezes.
Perto do meio-dia, Oceana cansou de xingar, cansou de chorar e adormeceu debruçada no sofá.
Sabrina então pegou o celular e mandou mensagem para Henrique, perguntando como estavam as coisas.
Henrique tirou uma foto e mandou.
Na sala limpa e arrumada, havia garrafas de bebida espalhadas pelo chão.
Henrique previu tudo: Fernando estava bebendo e Oceana estava chorando muito.
[Ele não diz nada, só bebe sem parar.]
Sabrina tirou uma foto de Oceana e mandou para Henrique.
[Ela falou um monte de besteira e, quando não estava falando, ficava chorando.]
Conversando pelo celular, os dois sentiam a impotência da situação e ficaram calados.
— Deixa eles se acalmarem por um tempo.
Sabrina nunca tinha visto Oceana chorar. — Deixa a Oceana respirar, espero que ela consiga superar.
Ela ligou para Henrique. No instante em que atendeu, Henrique levantou-se e foi para a sacada.
Pela janela, ele olhou para Fernando, meio bêbado, encarando Noriel, que andava devagar segurando na beirada do sofá.

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