— Três da tarde.
Era o último voo para a Capital.
Henrique Ramos hesitou se deveria remarcar para depois de amanhã.
Afinal, raramente tinha essa chance.
Mas, ao abaixar a cabeça, viu que Sabrina Batista já estava meio dormindo, muito cansada.
Mesmo que ficasse na noite seguinte, provavelmente só poderia olhar.
Ele puxou a coberta fina sobre ela e a abraçou, caindo no sono aos poucos.
Embora ambos soubessem bem o que tinha acontecido na noite anterior, quando Sabrina acordou naturalmente, já era meio-dia.
A velha senhora teve medo de que ela morresse de fome e mandou Henrique acordá-la para descer e comer.
Só de pensar em descer e encarar aquelas pessoas, sua cabeça já doía.
— A culpa é toda sua.
Ela reclamou enquanto escovava os dentes. — Você é insaciável, é mesmo?
Henrique deu de ombros, inocente. — A avó tem razão, seu corpo realmente precisa de nutrientes. Enquanto eu estiver fora, cuide bem de si mesma e recupere a saúde.
Só com o corpo dela bom, ele ousaria ser mais desimpedido.
Percebendo o outro sentido nas palavras dele, Sabrina cuspiu a espuma da pasta, enxaguou a boca, virou-se e deu um beliscão forte na cintura dele.
Mas a carne do abdômen do homem era firme, e ela beliscou por um tempo sem conseguir mover nada.
— Você vai sozinho daqui a pouco, eu não vou te levar.
Henrique segurou o pulso dela, afastando a mão provocadora.
Sim, o beliscão com toda a força de Sabrina, para ele, foi como o arranhão de um gatinho, sem doer nada.
Mas Sabrina falava duro, mas tinha o coração muito mole.
Quando ela desceu, os dois idosos e Julia agiram como se nada tivesse acontecido.
Henrique sentiu-se muito injustiçado e explicou enquanto dirigia:
— É só a experiência deles. Afinal, sou mais novo, como eu poderia falar desse tipo de coisa com eles?
Isso era verdade. Henrique não poderia dizer ao casal de idosos que estava sofrendo por se segurar, certo?
Sabrina ainda estava muito desconfortável, mas Henrique ia embora naquele dia.
Ela não continuou discutindo e ficou em silêncio.
A tristeza da despedida foi tomando conta dos dois aos poucos. Sobre a noite anterior, Sabrina no máximo ficou desconfortável e um pouco cansada, não dava para dizer que estava infeliz.
Ela ainda relutava em deixar Henrique ir.
No aeroporto movimentado, viam-se jovens casais caminhando lado a lado e namorados relutantes em se separar por toda parte.
Sabrina foi com Henrique para a sala VIP. Durante a meia hora em que esperou pelo embarque dele, Sabrina não disse uma palavra. Ela segurava dois dedos dele, com os olhos baixos, sem saber no que estava pensando.
Até que o aviso sonoro do aeroporto anunciou as informações de embarque do voo, e Henrique teve que ir.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Senhor Ramos, ele não é seu filho!