Mariana ficou em silêncio.
Ricardo mantinha aquela sua atitude despreocupada, mas seu rosto parecia um pouco mais rígido.
— Um saiu de casa, o outro seguiu logo atrás. Mesmo que não haja nada entre vocês, se a pessoa errada descobrir, vai espalhar boatos e criar confusão.
Sabrina observou Ricardo e então olhou para Mariana.
— A situação da Família Ramos e da Família Carneiro, vocês sabem melhor do que ninguém. Nem negócios vocês deviam estar fazendo juntos.
Não era apenas para colocar as cartas na mesa, Sabrina estava soando um alerta para eles.
Ela cada vez mais achava que o que Oceana tinha dito ontem fazia sentido.
— Eu estou cortejando ela.
Ricardo falou de modo descontraído, mas com um certo tom de determinação.
Sabrina se surpreendeu.
— Eu não disse sim ainda. — Mariana retrucou baixo.
Ela ainda não havia aceitado, mas o tom dela mostrava que havia uma chance.
Se não fosse isso, ela apenas teria recusado.
Sabrina olhou chocada para Mariana.
— Ele é vários anos mais velho que eu, eu acho ele muito velho.
— Se eu sou velho ou não, você testa e descobre. — Ricardo provocou. — Eu que acho você muito nova, dramática demais.
Mariana olhou feio para ele: — Pessoas mais velhas adoram humilhar os outros, você tem a língua afiada demais.
Ricardo respondeu sem rodeios: — A boca é afiada, mas o sabor é doce, não quer provar?
— ... — As orelhas de Mariana queimaram de vergonha.
Falar aquelas perversões em particular já seria demais.
Como ele teve a coragem de dizer aquilo na frente de Sabrina?
Sabrina: — ...
Era muito constrangedor. Pensando agora, a maneira como Ricardo tentou conquistá-la antes era digna de um cavalheiro.
— Se sou doente ou não é outra história, diz aí se você apalpou ou não.
Ricardo se inclinou para trás e encostou-se na cadeira com a camisa entreaberta, parecendo um bandido sem pudor.
As falas não apenas envergonharam Mariana, que quase quis sumir do mapa.
Sabrina, como mera expectadora, já não aguentava mais ouvir aquilo.
— Mariana, acho que seria melhor você voltar para casa.
Ricardo riu na hora: — Pode voltar, eu dou um jeito de cobrir mais as coisas no bistrô. Pagar pelos estoques, administrar as contas, verificar o caixa, depois eu junto tudo num relatório e mando para você.
Mariana recusou sem hesitar: — Sonha, você acabaria embolsando toda a minha margem de lucro!
Ela não confiava no caráter de Ricardo.
Os dois iam ao mercado todos os dias comprar mantimentos e verificar as contas, depois checavam tudo de novo no fim do expediente.
Negócios em conjunto exigiam clareza financeira para durar.
E com um picareta como Ricardo, Mariana jamais confiaria nele.

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