Após o término do jantar em família, a vovó foi amparada por uma criada de volta para o seu quarto.
No caminho, a criada parecia confusa.
— Você também achou que hoje o sol nasceu no oeste? — perguntou a velha senhora.
A criada riu, um pouco sem graça.
Esse jantar em família a deixou com o coração repleto de sentimentos contraditórios.
Estrela havia sido a nora da família Freitas por cinco anos. Há pouco tempo, ela estava grávida, mas a família Freitas nem sequer sabia. Depois que ela sofreu um aborto, com exceção da velha senhora e de Henrique, toda a família, por uma coincidência assustadora, resolveu proteger a culpada.
Mas, parando para pensar...
Ela servia a velha senhora há muitos anos e sabia o quanto ela amava Estrela.
Mas e Henrique?
Ele não era conhecido por sempre defender Clara? Por que hoje resolveu tomar as dores de Estrela?
Isso a deixava completamente sem entender a situação.
Contudo, aquilo era um assunto de família, e ela, sendo apenas uma empregada, não se sentia no direito de comentar.
A criada ficou em silêncio, mas a vovó adivinhou os seus pensamentos:
— Você já está comigo há tantos anos, praticamente já faz parte da família Freitas. O que tem de tão difícil para dizer em voz alta?
Com o incentivo da velha senhora, a criada pensou por um momento antes de formular a sua resposta:
— O jovem mestre e a senhorita Estrela não tinham um bom relacionamento, mas no fundo, o coração dele é bom. Além do mais, a criança que ela perdeu também era dele. Consigo entender ele exigir um pedido de desculpas da senhorita Clara.
— Mas não imaginava que ele fosse exigir que isso fosse feito em público...
Afinal de contas, a atitude que Henrique tinha em relação a Clara antes era óbvia para todos.
E agora, não apenas exigia um pedido de desculpas público, como colocou o assunto na mesa durante um jantar de família, deixando claro que não haveria escapatória para Clara.

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